Faz mais de duas horas que estou aqui sentado, nesta sala abafada e
deserta. Sem movimento algum, parado em mim, embrutecido, com esta minha cara
de palerma me latejando. Desde hoje cedo submergi num pesadelo de que não
consigo acordar. Faz mais de duas horas que respiro este ar insuportável que me
arranha a pele e o esôfago, com aquela raiva doentia que só medra em recintos
de horror. A mancha de sol que encontrei estatelada aí ao lado da mesinha já se arrastou pelos tacos do assoalho e
escalou a parede, sumiu. Eu sinto que a sala me estranha, cheia de hostilidade,
mas não consigo sair daqui.
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Esteja preparado, Artur, seu pai está muito mal. Amanhã vamos saber melhor qual
o verdadeiro estado dele.
