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segunda-feira, 28 de maio de 2012

A ESPERANÇA POR UM FIO (Fragmento)

O CONFORTO CHEGA PELO FIO

- Mari, eu morro de medo. Meu velho é tudo que eu tenho na vida. É como se eu fosse um galho dele, que saí dele. Só isso. Se ele ...
A ideia, plantada na minha cabeça há uma semana, toma forma quando tento transformar em palavras. Não resisto e caio num choro que dói na caixa do peito, que me faz babar no telefone e que não me permite continuar.
- Artur?!
Não consigo nem ao menos responder.

terça-feira, 17 de abril de 2012

A ESPERANÇA POR UM FIO - FRAGMENTO 1


Faz mais de duas horas que estou aqui sentado, nesta sala abafada e deserta. Sem movimento algum, parado em mim, embrutecido, com esta minha cara de palerma me latejando. Desde hoje cedo submergi num pesadelo de que não consigo acordar. Faz mais de duas horas que respiro este ar insuportável que me arranha a pele e o esôfago, com aquela raiva doentia que só medra em recintos de horror. A mancha de sol que encontrei estatelada aí ao lado da mesinha  já se arrastou pelos tacos do assoalho e escalou a parede, sumiu. Eu sinto que a sala me estranha, cheia de hostilidade, mas não consigo sair daqui.

- Esteja preparado, Artur, seu pai está muito mal. Amanhã vamos saber melhor qual o verdadeiro estado dele.