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segunda-feira, 20 de maio de 2013

CARTA CAPITAL| ELE CHEGOU


Esta semana, a crônica da Carta Capital foi publicada no domingo, mas  esperamos até hoje para manter o nosso calendário.
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O frio está entre nós. Não aguentava mais tanto sol, tanto brilho, este mundo com febre
por Menalton Braff— publicado 19/05/2013 10:43

E o frio, minha gente, finalmente chegou. Tímido ainda, inseguro, mas já me fez assaltar o guarda-roupa e vestir uma daquelas blusas de que eu nem me lembrava mais que eram minhas. Agora, em lugar dos braços suados e da pele ardendo, sinto o conforto macio destas mangas de malha flanelada. É uma carícia de que há muito andava esquecido.

E ele chegou de manhã cedo, quando levantei e dei de cara com o céu encoberto por nuvens cinza. Não aguentava mais tanto sol, tanto brilho, este mundo com febre. O azul estava sempre lá, infatigável, vigilante, sem nos dar o menor descanso. Um azul que já se tornava agressivo de tão invariável. Pois foi nas asas destas nuvens, que agora nos protegem, que o frio chegou.

domingo, 8 de julho de 2012

DOMINGO DE MANHÃ

Manhã fria de domingo, hoje acordei e fui abrir a janela. O céu não tinha amanhecido. Um cobertor cinza o escondia, aliviando-nos do azul monótono e da boca de fornalha, que alguns chamam de Sol. Hoje posso me agasalhar, posso ler ou escrever, sem os incômodos do excesso de claridade.

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Finalmente o frio | Revista Bula

Acesse a publicação original na Revista Bula


Que me perdoem os leitores se exulto, quase sozinho, com a chegada do frio. Meu amigo Adamastor, que veio do Cabo da Boa Esperança, no sul da África, fica escandalizado com minhas preferências. É que o Sol, este astro rei (caramba! quando é que vamos deixar de ser monarquistas?) torna-se menos agressivo, seus raios nos acariciam em lugar de arranhar-nos. As tardes, menores e mais encolhidas, parecem convidar para conversas menos estridentes, para aquele tipo de prosa em que não se tem pressa de chegar ao fim. Duas cadeiras na varanda, um bom vinho em taças pequenas, e a conversa esticada apenas pelo gosto da troca.

O clima frio exige recolhimento e conduz à reflexão. As longas noites são invadidas pelo estudo, pela leitura, porque o silêncio é companheiro do frio assim como o barulho o é do calor. O mundo exterior mais reduzido estimula o exercício da imaginação. Portas e janelas fechas forçam-nos o olhar para o interior.