quarta-feira, 11 de julho de 2012

NOSSOS IMPULSOS


Nem tudo está sob controle. Em nossas ações diárias podemos descobrir isso. Muitas vezes somos movidos a associação de ideias que desconhecemos, de que não temos o controle, quase sempre ideias de que não nos damos conta.

Hoje de manhã me levantei convencido de que começaria meu dia escrevendo. Estou trabalhando no nono capítulo de um romance. Sem que possa explicar, de repente, me vi com um livro do Alfredo Rossetti nas mãos. Li esse livro pela primeira vez em 2008, se não me engano. E agora já sei que vou passar a manhã relendo Colheita dos ventos.

O Alfredo Rossetti é um poeta quase surrealista, característica da maior parte da poesia contemporânea. Da melhor poesia contemporânea.
Pois é desse livro que resolvi postar o poema que lhe dá o título.

Colheita dos ventos

Não permita que sua existência se molde
como janelas do Vaticano, nem dê somente
frestas à cota sagrada de sol.

Mantenha além dos sentidos a atenção
a um amor maior e bebe a água
de todos mares, mesmo as últimas
gotas de orvalho.

Não queira apenas os figos maduros,
amanhados em jardins redolentes:
há galhos secos em que a sabedoria viceja.

Enleie a si os desejos do mundo,
coloridos e triunfantes, mas convide
o indevido ao redor, e dance na noite difusa.

Seja para o sempre um castelo onde
o vento sibila fremente com toda sua
liberdade doada aos seus poros.

Somente assim, o espírito, já nascido
sapiente, colhe suas flores e sorri
nesta ditosa passagem por esse
minúsculo jardim do Universo: a Vida.

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