quarta-feira, 26 de setembro de 2012

MACUNAÍMA (3)

Jiguê deu uma coça no caçula, o herói, por desconfiar de que seu irmão mais novo andara brincando com Sofará. Mas a história segue.
Pág. 12 - "No outro dia a arraiada ainda estava acabando de trepar nas árvores, Macunaíma acordou todos, fazendo um bué medonho, que fossem! que fossem no bebedouro buscar a bicha que ele caçara!... Porém ninguém não acreditou e todos principiaram o trabalho do dia."

Por fim, a pedido de Macunaíma, Sofará, mulher
de Jiguê, é quem vai ao bebedouro e encontra a anta já morta.
Pág. 12 - "(...) Quando Jiguê chegou com a corda de curauá vazia, encontrou todos tratando da caça, ajudou. E quando foi pra repartir não deu nem um pedaço de carne pra Macunaíma, só tripas. O herói jurou vingança.

No outro dia pediu pra Sofará que levasse ele passear e ficaram no mato até a boca-da-noite. Nem bem o menino tocou no folhiço e virou um príncipe fogoso. Brincaram. Depois de brincarem três feitas, correram mato fora fazendo festinhas um pro outro. Depois das festinhas de cotucar, fizeram a das cócegas, depois se enterraram na areia, depois se queimaram com fogo de palha, isso foram muitas festinhas."

Observe-se a grande quantidade de coloquialismos: "ninguém não acreditou", "pra", "levasse ele passear" (ele como objeto direto e a ausência da preposição "a" antes do verbo).

Pág. 13 - "Depois de brincarem Macunaíma quis fazer uma festa em Sofará. Dobrou o corpo todo na violência dum puxão mas não pôde continuar, galho quebrou e ambos despencaram aos emboléus até se esborracharem no chão."

A pontuação de Mário de Andrade não é gramatical, mas estilística. Não se pode esquecer o fato de que o autor acalentava o projeto de escrever uma gramática da língua brasileira.

Pág. 13 - "(...) Quando o herói voltou da sapituca procurou a moça em redor, não estava. Ia se erguendo pra buscá-la porém do galho baixo em riba dele furou o silêncio o miado temível da suçuarana. O herói se estatelou de medo e fechou os olhos pra ser comido sem ver."

Quem aparece imediatamente? Sofará com seu risinho.

Pág. 13 - "(...) E brincaram mais outra vez."
Pág. 14 - "(...) Porém Jiguê desconfiado seguira os dois no mato, enxergara a transformação e o resto. Jiguê era muito bobo. Teve raiva. Pegou num rabo-de-tatu e chegou-o com vontade na bunda do herói. O berreiro foi tão imenso que encurtou o tamanhão da noite e muitos pássaros caíram de susto no chão e se transformaram em pedra.
Quando Jiguê não pôde mais surrar, Macunaíma correu até a capoeira, mastigou raiz de cardeiro e voltou são. Jiguê levou Sofará pro pai dela e dormiu folgado na rede."

De acordo com o pensamento mágico (pré-lógico), tudo pode virar tudo.

(CONTINUA)


Nenhum comentário:

Postar um comentário

http://twitter.com/Menalton_Braff
http://menalton.com.br
http://www.facebook.com/menalton.braff
http://www.facebook.com/menalton.braff.escritor
http://www.facebook.com/menalton.para.crianças