A análise de hoje é sobre a obra "Macunaíma", de Mário de Andrade, e está baseada em observações do professor Alfredo Bosi.
A coluna ESPIANDO POR DENTRO publica análises literárias feitas por Menalton Braff e publicadas originalmente na coluna VESTIBULANDOS, no site do escritor.
Livro Analisado: Macunaíma
Preparação: Prof. Menalton Braff
A obra
Macunaíma é o resultado de uma visão própria do momento que o Brasil
vivia: a negação de nossas tradições literárias, a redescoberta da
identidade brasileira em um patamar de extrema transparência e
sobretudo sem o maniqueísmo romântico. É com esse intuito que o índio
volta à cena. Mas agora o índio "mau selvagem", sem idealizações. Desse
primitivismo modernista nasce Macunaíma.
Não se estrutura como romance: conflito, desenvolvimento, solução. Por
isso, Mário de Andrade o classificou de rapsódia, pois como nas rapsódias
é constituído de quadros que se justapõem, sem que um implique o
seguinte, a não ser pela necessidade de caracterização das personagens.
Personagens:
Macunaíma é o "herói sem nenhum caráter", por ser herói símbolo,
síntese de todos os caracteres brasileiros. Nasce no fundo da mata-virgem
(índio), "preto retinto" (negro) e torna-se branco na viagem para o Sul.
Nele se concentram a sagacidade, a manha (derrota