O poema abaixo é o mais recente produto de meu amigo Matheus Arcaro.Rotina
Em mim jaz um poeta vivo.
Mais vivo do que meu corpo suportaria.
Um poeta bruto que se debate
e arranha as paredes internas do meu peito.
Um poeta que me escala a garganta,
Mas escorrega na língua afeita a frases feitas.
Um poeta que pula de costela em costela
na tentativa vã de invadir as veias vitais.
Um poeta pronto a implodir meus pulmões
apenas me inspirando.
Esse poeta gladiador
que não desvenda a esfinge da dor,
às vezes escapa pelas minhas frestas
e lança palavras na página desprotegida.
Ela, alva e dada,
dama ardilosa,
devolve o golpe abrindo a guarda.
O poeta luta e labuta,
mas lentamente seu suspiro é suspenso
pela praticidade exegética,
pela técnica de um só gume,
pelo relógio na parede ou no pêndulo braço.
Ao meu rosto baço,
sem espaço para traços soltos,
resta abrigar as ruínas da esperança
e escutar o grito derradeiro
que corrói meu verso seco e oco.
O eco ácido
percorre meu flácido corpo,
que, absorto, não percebe a rotina
tecendo a cortina que em instantes
velará o poeta morto.
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