CONSTRUÇÕES
(Claudio Willer)
da última vez
(aquela em que o tesão se estendia pelas encostas da
montanha, pelos campos e ao longo da praia)
tudo era febre e paz
um retorno insone
à aventura de escrever
sobre os sulcos e a carne
a outra voz
sussurrada
incandescente expressão da mais pura ousadia de ser
suave selo feito de palmas e dedos que se estendem sobre seu
corpo
mãos do vago, do suave, do abstrato
encontros
namoro de horizontes e superfícies
você
casa incendiada paisagem reclinada
salsugem dos seios
o fervor me leva
a luz me traz à tona
somos simples como o amanhecer de ontem
quando fomos tudo o que somos:
calor da maresias
segredos na relva
canções de um sibarita
ontem
há um mês há três
anos
(é assim que se anula o tempo – através da gravidade da
Terra)
contar as fábulas / expressar a paixão devoradora
quando o poema não tem mais forma
e o prazer não tem limites
como uma fria lâmina de luz
como um ramalhete de éter
como um fantasma a caminhar na ponta dos pés
como uma voz sem objeto

Nenhum comentário:
Postar um comentário
http://twitter.com/Menalton_Braff
http://menalton.com.br
http://www.facebook.com/menalton.braff
http://www.facebook.com/menalton.braff.escritor
http://www.facebook.com/menalton.para.crianças