Mostrando postagens com marcador Domício da Gama e o Impressionismo literário no Brasil. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Domício da Gama e o Impressionismo literário no Brasil. Mostrar todas as postagens

sábado, 21 de setembro de 2019

O EU NA LITERATURA

No dia 16 de outubro, Menalton participa de uuma mesa-redonda na Unesp de Araraquara, sobre o tema 'O eu na literatura', ao lado do professor doutor Franco Baptista Sandanello. 

Sandanello é autor do texto  "Flashes da Tradição Impressionista no Brasil"*, que examina a obra de Adelino Magalhães e o romance "Bolero  de Ravel", de Menalton Braff.


* Sexto capítulo do livro "Domício da Gama e o impressionismo literário no Brasil", resultado de sua pesquisa de pós-doutorado realizada entre a Universidade Estadual Paulista e a Université Sorbonne Nouvelle Paris III. 

terça-feira, 21 de agosto de 2018

BOLERO DE RAVEL É TEMA DE TEXTO ACADÊMICO

O texto a seguir é um fragmento do livro "Domício da Gama e o Impressionismo literário no Brasil", de Franco Baptista Sandanello, editado pela EDUFMA.

Século XXI: os desdobramentos contemporâneos de Menalton Braff


O perceptivismo imediatista de Adelino é revisto pela prosa contemporânea de Menalton Braff ¹ que, em Bolero de Ravel (2010), elabora uma relação como que negativa com o elemento visual, mediada por um narrador mal ajustado á vida e para quem o contato com o mundo exterior, simbolizado pela luz, constitui o maior dos males.

Seu enredo, como de praxe em narrativas impressionistas, pode ser sintetizado em poucas palavras: Adriano, homem de 35 anos sustentado pela família, vê sua vida entrar em crise ao perder seus pais em um acidente de carro.

Sua irmã, Laura, advogada como o pai e orgulho da casa, demanda metade de sua herança, ou, ao menos, que o irmão trabalhe e arque com suas próprias despesas. O resultado é desastroso, pois Adriano não consegue adaptar-se ao trabalho, horrorizado pela vida fora do quarto:

Abro os olhos como se fosse começar a viver outra vez. Abro com a vaga esperança de que ainda não saí de um sonho mal, por isso abro apenas uma fresta, com medo de que haja luz no quarto, e que a luz me fira como vem acontecendo ultimamente toda vez que abro os olhos. meu corpo quente muda de posição, protegendo-me, depois de ter visto a mancha clara do dia que nasce molhado nas trinchas da veneziana. (BRAFF, 2010, P. 19)

Nesta atmosfera de meia luz, o tempo torna-se relativo, submergindo-se em meio aos pensamentos do narrador: "A claridade escassa pode ser do dia que nasce. Ou morre. Vejo na parede o quadrilátero da janela com vestígios de uma luz azulada, mas que janela é esta que não vejo e não significo?" (idem,