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quinta-feira, 26 de setembro de 2019

BOLERO DE RAVEL EM LIVRO SOBRE O IMPRESSIONISMO LITERÁRIO NO BRASIL

No ano passado, o professor doutor Franco Baptista Sandanello, da Universidade Federal de São Carlos e da Universidade Federal do Maranhão, publicou, em livro editado pela EDUFMA, um estudo acadêmico sobre  "Domício da Gama e o Impressionismo literário no Brasil". Um dos capítulos desse livro foi dedicado à análise do romance "Bolero de Ravel".

Já publicamos o texto neste blog, mas decidimos fazer uma nova postagem para os que ainda não leram e para os que, eventualmente, tenham interesse de ler outra vez.

Século XXI: os desdobramentos contemporâneos de Menalton Braff


O perceptivismo imediatista de Adelino é revisto pela prosa contemporânea de Menalton Braff ¹ que, Bolero de Ravel (2010), elabora uma relação como que negativa com o elemento visual, mediada por um narrador mal ajustado á vida e para quem o contato com o mundo exterior, simbolizado pela luz, constitui o maior dos males.

Seu enredo, como de praxe em narrativas impressionistas, pode ser sintetizado em poucas palavras: Adriano, homem de 35 anos sustentado pela família, vê sua vida entrar em crise ao perder seus pais em um acidente de carro.

Sua irmã, Laura, advogada como o pai e orgulho da casa, demanda metade de sua herança, ou, ao menos, que o irmão trabalhe e arque com suas próprias despesas. O resultado é desastroso, pois Adriano não consegue adaptar-se ao trabalho, horrorizado pela vida fora do quarto:

Abro os olhos como se fosse começar a viver outra vez. Abro com a vaga esperança de que ainda não saí de um sonho mal, por isso abro apenas uma fresta, com medo de que haja luz no quarto, e que a luz me fira como vem acontecendo ultimamente toda vez que abro os olhos. meu corpo quente muda de posição, protegendo-me, depois de ter visto a mancha clara do dia que nasce molhado nas trinchas da veneziana. (BRAFF, 2010, P. 19)

Nesta atmosfera de meia luz, o tempo torna-se relativo, submergindo-se em meio aos pensamentos do narrador: "A claridade escassa pode ser do dia que nasce. Ou morre. Vejo na parede o quadrilátero da janela com vestígios de uma luz azulada, mas que janela é esta que não vejo e não significo?" (idem,

sábado, 21 de setembro de 2019

O EU NA LITERATURA

No dia 16 de outubro, Menalton participa de uuma mesa-redonda na Unesp de Araraquara, sobre o tema 'O eu na literatura', ao lado do professor doutor Franco Baptista Sandanello. 

Sandanello é autor do texto  "Flashes da Tradição Impressionista no Brasil"*, que examina a obra de Adelino Magalhães e o romance "Bolero  de Ravel", de Menalton Braff.


* Sexto capítulo do livro "Domício da Gama e o impressionismo literário no Brasil", resultado de sua pesquisa de pós-doutorado realizada entre a Universidade Estadual Paulista e a Université Sorbonne Nouvelle Paris III. 

terça-feira, 21 de agosto de 2018

BOLERO DE RAVEL É TEMA DE TEXTO ACADÊMICO

O texto a seguir é um fragmento do livro "Domício da Gama e o Impressionismo literário no Brasil", de Franco Baptista Sandanello, editado pela EDUFMA.

Século XXI: os desdobramentos contemporâneos de Menalton Braff


O perceptivismo imediatista de Adelino é revisto pela prosa contemporânea de Menalton Braff ¹ que, em Bolero de Ravel (2010), elabora uma relação como que negativa com o elemento visual, mediada por um narrador mal ajustado á vida e para quem o contato com o mundo exterior, simbolizado pela luz, constitui o maior dos males.

Seu enredo, como de praxe em narrativas impressionistas, pode ser sintetizado em poucas palavras: Adriano, homem de 35 anos sustentado pela família, vê sua vida entrar em crise ao perder seus pais em um acidente de carro.

Sua irmã, Laura, advogada como o pai e orgulho da casa, demanda metade de sua herança, ou, ao menos, que o irmão trabalhe e arque com suas próprias despesas. O resultado é desastroso, pois Adriano não consegue adaptar-se ao trabalho, horrorizado pela vida fora do quarto:

Abro os olhos como se fosse começar a viver outra vez. Abro com a vaga esperança de que ainda não saí de um sonho mal, por isso abro apenas uma fresta, com medo de que haja luz no quarto, e que a luz me fira como vem acontecendo ultimamente toda vez que abro os olhos. meu corpo quente muda de posição, protegendo-me, depois de ter visto a mancha clara do dia que nasce molhado nas trinchas da veneziana. (BRAFF, 2010, P. 19)

Nesta atmosfera de meia luz, o tempo torna-se relativo, submergindo-se em meio aos pensamentos do narrador: "A claridade escassa pode ser do dia que nasce. Ou morre. Vejo na parede o quadrilátero da janela com vestígios de uma luz azulada, mas que janela é esta que não vejo e não significo?" (idem,

sexta-feira, 17 de agosto de 2018

LIVRO RECEBIDO

Título: O escorpião e o jaguar
Autor: Franco Baptista Sandanello
Gênero: Teoria da Literatura
Editora: CULTURA ACADÊMICA

Do Prefácio
"No estudo intitulado O escorpião e o jaguar: o memorialismo prospectivo d'O Ateneu, de Raul Pompeia, de Franco Sandanello propõe uma instigante releitura de um dos textos matriciais do cânone brasileiro do Bildungsroman, declinado, em O Ateneu, como romance de internato. Partindo da ditologia animalista, consignada no título do ensaio como verdadeiro roteiro hermenêutico, o autor examina, através de uma original e meticulosa perscrutação da letra do romance, a complexa (e, não raras vezes, intrigante) economia relacional ficcionalizada na narrativa de aprendizagem de Raul Pompeia."
Paulo Alexandre Pereira
Universidade de Aveiro - Portugal

terça-feira, 22 de agosto de 2017

IMPRESSIONISMO E LITERATURA

Livro de Braff é tema de ensaio 
sobre Impressionismo e Memória

A Editora da Universidade Federal do Maranhão acaba de lançar livro “Impressionismo e literatura” ,  que reúne ensaios sobre o tema organizados por Franco Baptista Sandanello. É a primeira publicação conjunta de integrantes do Núcleo de Estudos do Impressionismo Literário (NEIMP) e dá continuidade à parceria do NEIMP com a EDUFMA iniciada em fevereiro deste ano com o livro "Domício da Gama e o impressionismo literário no Brasil".

Entre os trabalhos acadêmicos contidos no livro, encontra-se “Que enchente me carrega?, de Menalton Braff: Impressionismo e Memória”, da pesquisadora Natali Fabiana Costa e Silva. 

O livro traz, ainda, os ensaios:  “Regionalismo e Impressionismo: faces ocultas da tradição na literatura brasileira”, de André Tessaro Pelinser; “Maupassant e o impressionismo”, de Kedrini Domingos dos Santos; “Evanescência em silêncio translúcido: brevíssimas notas do impressionismo literário em Clarice Lispector (O lustre, 1946)”, de Moisés Gonçalves

quinta-feira, 15 de junho de 2017

ORELHA


Excepcionalmente, a postagem de hoje não traz uma orelha, mas uma apresentação, pois o texto em questão não é uma obra literária e sim um relatório de Pós-doutorado*. 

Sans désirs, ni regrets: o impressionismo “a meia tinta” de Domício da Gama


Desenterrar pedras preciosas que o tempo teima em enterrar, a mim parece uma atividade emocionante. Pelo menos foi com emoção que terminei a leitura de Sans désirs, ni regrets: o impressionismo “a meia tinta” de Domício da Gama, o relatório de Pós-doutorado que Franco Baptista Sandanello apresentou à Unesp de Araraquara, com pesquisas no exterior, principalmente no Centro de Pesquisas sobre os Países Lusófonos, da Sorbonne Nouvelle – Paris III. E, apesar de seu espírito científico de pesquisador criterioso, que foi ao fundo de seu assunto, percebe-se muitas vezes que o Franco trabalhou movido por dois estados de espírito diferentes: a curiosidade do cientista, que busca a comprovação e o significado de tudo que afirma; a emoção do poeta a quem as sucessivas descobertas deslumbram.

Não está errado dizer que o corpus do Franco foi a obra completa de Domício da Gama. Sim, porque além de seus dois livros, Contos a meia tinta e Histórias curtas, o autor foi descobrir contos publicados apenas em jornais da época e estudou cuidadosamente as dezenas de crônicas de Domício. E isso tinha uma importância imensa para seu relatório: Domício da Gama foi um dos introdutores, ao lado principalmente de seu amigo Raul Pompeia, da literatura