
Conto publicado originalmente na Antologia Solidária Barretos.
BARRETOS, EU ESTAVA LÁ
(Fatima Simamura)
Sempre brinquei com Carol, minha filha caçula, que gostaria de escrever uma carta para ela ler quando estivesse bem velhinha. Em envelope lacrado, a missiva ficaria guardada e ela só poderia abrir quando eu estivesse “quase” caducando, mas não a ponto de não saber mais quem eu fui.
Entretanto, ocorreu-me ideia melhor: por que não escrever sobre minhas melhores lembranças, numa espécie de evolução da vida?
De lá pra cá, venho registrando tudo que me brota de lembrança. Claro, começando pela minha infância em Barretos. A continuar assim, acho que a carta poderia virar um livro. Mas, como aqui só há espaço para contar pequenas aventuras e traquinagens, então vamos aos antecedentes.
Posso me considerar uma pessoa de sorte, pois nasci numa família linda, rica de caráter e bastante numerosa. Nada a ver com as famílias reduzidas de hoje em dia.