Conto publicado na Antologia Solidária Barretos.
EM PRISCAS ERAS
(Washington Resende)
O Natal está chegando e as pessoas dizem que Papai Noel só traz presentes para as crianças que se comportaram bem durante o ano. Eu não sei bem se isso é verdade, mas das outras vezes eu fui praticamente um anjinho de procissão, daquelas da semana santa, e mesmo assim não ganhei nada, apesar de deixar a meia pendurada na janela. Talvez porque a meia tivesse um furo e o presente tenha
caído; vai que era uma bola, rolou quintal e rua abaixo? Mamãe anda muito atarefada com as costuras para fora e não tem sobrado um espaço no seu dia para coser minhas roupas rasgadas. Mal tem sobrado tempo para ela vir me cobrir e dar o último beijo da noite, antes que eu durma. Nos dias que ela não vem, como hoje, aproveito e fico lendo meus gibis até tarde, mas ela sempre percebe na manhã seguinte, pois ao vir me chamar para ir à padaria repara na luz acesa, que por preguiça deixei de apagar, já que o interruptor fica longe e, quando o sono vai me pegando no colo, deixo-me ser levado por ele. Por isso, não adianta o penico: quando durmo muito tarde acabo fazendo xixi na cama. Só que hoje dispensei meus gibis, preferi ficar relembrando como foi meu ano e se fui um bom menino.
Papai Noel, meu nome é Lucas e o meu apelido é Travado: já digo logo os dois, pois assim não tem como se enganar. Recebi esse apelido porque quando jogo futebol os outros meninos dizem que corro com as pernas duras. Não gostei muito e reclamei com a mamãe, justamente no horário da