Este conto foi publicado originalmente na Antologia Solidária Barretos.
Um Mensageiro Contou
(Glaucia Chiarelli)
A fantasia não pode ir embora do universo infinito de cada ser como se fosse moda, tendência praticada em uma fase da vida, e que, depois, com o tempo, se esvai. Como se fosse mais um costume de estação.
Naqueles tempos, já meio distantes do agora, em que eu praticava uma feitiçaria chamada brincadeira, me lembro que o mundo era vasto e habitado pelos mais diferentes seres. Tinha monstros e amigos e rotinas que precisavam de mais horas do que tem um dia inteiro. Os meses eram infinitos e os anos lembravam uma era. Todos os seres eram deuses e tinham o poder de criar terras, moradas e esconderijos. Os cantos eram entoados em conjunto e transformavam o mundo, o povo e os próprios cantadores.
Eu ainda me recordo.
Certo dia, naquelas horas de fazer nada, naqueles momentos em que mente e coração se abrem num lampejo e se ajuntam em mente e espírito, recebi a visita dos mensageiros. Vindos do Leste, queriam água e pão, e ouvidos e alma leve.