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sexta-feira, 24 de janeiro de 2020

CONTOS CORRENTES

O conto a seguir está na coletânea À sombra do cipreste, 'Livro do Ano' no Prêmio jabuti 2.000.

Adeus, meu pai


Portas e janelas mantêm-se fechadas desde o início da noite: o frio lá fora, rondando a casa, silencioso, enquanto na sala enfumaçada de vez em quando alguém abafa a tosse com a mão, pede um copo dágua, tenta espantar o sono. A mulher que até agora vem puxando o terço abre um pouco a janela da frente, respira a noite - sua cabeça escondida atrás da veneziana: não suporta mais o cheiro adocicado e murcho das flores, ela esclarece assim que retorna. 

Soltas no regaço, em repouso, as mãos de Ana, ásperas e rugosas, desde a véspera  irremediavelmente inúteis, não se movem. Há muito elas já vinham assumindo esta coloração baça de gesso, de maneira imperceptível porém progressiva, até que, esta madrugada, ao fitá-las através da fumaça, seus olhos sujos de pasmo e sono, ela diz para si mesma pois é, e eu continuo aqui, livre e sem razão. E suspira. Apreensiva. Mas, apesar do desconforto de ter a casa devassada por tantos olhos, com os vizinhos vasculhando seus cantos escondidos, ditando as providências, mudando lugares e horários, é um momento em que não gostaria de estar sozinha. E não está.

Pouco antes, um daqueles intrusos encostou-lhe delicadamente o assento de uma cadeira nas curvas das pernas, senta, criatura de Deus, porque ninguém pode ficar assim, de pé parada,  a noite toda. E ela sentou-se em silêncio, apalermada, o busto um pouco erguido demais para quem velava desde a

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

ENCONTRO COM ENSAÍSTA ITALIANO É NOTICIA NO JORNAL A CIDADE

A nota na versão impressa
Eis a nota publicada por Juliana Rangel. Clique aqui para acessar a publicação online.

Encontro Literário
Versão online
A coluna registrou o encontro do escritor Menalton Braff com o ensaísta italiano Michele Gialdrone, atualmente radicado no Uruguai como adido cultural da Embaixada da Itália. Durante o jantar, realizado na Pizzaria Zio Totó, em Ribeirão Preto, Braff, que já foi ganhador do prêmio Jabuti, falou sobre seu novo romance, “Pouso do Sossego”.

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

CANSADO E CONTENTE

Nesse último fim de semana terminei o romance com que encerro a trilogia de título provisório  Tempus Fugit  (até encontrar título melhor). O primeiro foi publicado pela Global Editora, e saiu com o título de Tapete de Silêncio, e foi finalista do Jabuti deste ano. O segundo volume, Pouso do Sossego, faz mais de um ano que está terminado. Para o último dos três ainda não encontrei um título que preste.
Além do processo de transformação por que passa uma pequena cidade bem interiorana, perdida num espaço mitopoético, em razão do tempo e seu transcurso, a trilogia escancara conflitos familiares, no interior desse processo de modernização, e ainda o modo como três gerações vão-se comportando face à invasão do mundo exterior em sua pacata Pouso do Sossego.
Em fase de revisão total e final, vou descobrindo contradições e incongruências que é preciso eliminar. Mas isso já é o início do descanso. Contente fui ficando desde a primeira palavra escrita.
Tenho algumas ideias, dentre as quais devo escolher uma, para um próximo romance. Por enquanto, tenho a obrigação e o prazer de "lamber a cria".

domingo, 23 de setembro de 2012

SAIBA MAIS SOBRE O LIVRO FINALISTA DO PRÊMIO JABUTI

SINOPSE

O que fariam dez homens reunidos no coreto da praça da Matriz de Pouso do Sossego, numa noite chuvosa? Entre cochichos, risos abafados e pigarros, eles aguardam a meia-noite. Liderados pelo comerciante Osório, esses respeitáveis senhores de bem têm um dever a cumprir: manter a ordem e a honra do lugar onde vivem.

Tendo como cenário uma pequena cidade interiorana, nomeada ironicamente Pouso do Sossego, o autor cria dois planos narrativos: o primeiro tem a duração de uma noite e é narrado em primeira pessoa por Osório, cujo olhar conduz o leitor por essa longa e trágica noite; no segundo plano, batizado de "Coro", um narrador em terceira pessoa retoma episódios do passado.

Presente e passado dialogam ao longo do romance, num jogo de sombra e luz: as ações do presente são envolvidas pela noite, pela chuva, por sombras e vultos, ódios e rancores; os acontecimentos do passado desfilam coloridos, sobretudo pela chegada à cidade de ruidosa e alegre companhia circense.

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

TAPETE DE SILÊNCIO É FINALISTA DO JABUTI 2012



Foram divulgados nesta quinta-feira, 20, os 10 finalistas das 29 categorias do tradicional Prêmio Jabuti, um dos mais prestigiosos do mercado editorial brasileiro.

Na lista, nomes consagrados como Dalton Trevisan, recém-premiado com o Camões, Lygia Fagundes Telles, Rubem Fonseca, Nuno Ramos, Ana Maria Machado e Wilson Bueno, morto em 2010 e que teve seu livro Mano, a Noite Está Velha publicado postumamente, além de autores da nova geração, como Julián Fuks, finalista também do Prêmio São Paulo de Literatura, que anuncia os vencedores na segunda-feira, e do Portugal Telecom, e Luisa Geisler, que ganhou duas vezes o Prêmio Sesc de Literatura. Os dois integram a Granta – Os Melhores Jovens Autores Brasileiros, lançada em julho.

Dos frequentadores do VerdesTrigos, destacamos os amigos Chico Lopes, Menalton Braff, Domingos Pelegrini, Julián Fuks, Francisco de Morais Mendes e Altair Martins.