Blog de Literatura do escritor Menalton Braff, autor de 26 livros e vencedor do Prêmio Jabuti 2000.
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- No fundo do quintal
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quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014
quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014
SHORT STORY
O costume
de Isaura
Isaura
costumava chorar durante o trabalho. Ela era uma caixa bastante jovem e muito
bonita, por isso nem precisava daquilo, mas, como gostava de agradar aos
fregueses do restaurante, ela chorava, porque, deste modo, as pessoas saíam
aliviadas de seus pesares, pensando que não eram tão infelizes assim.
Na última terça-feira, entretanto, Isaura sentia-se muito bem fisicamente e por isso exagerou. Chorou tanto, mas tanto, que acabou molhando todo o dinheiro que tinha guardado na registradora, e a salada, ao chegar da cozinha, já vinha cozida de tanto sal.
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quarta-feira, 17 de outubro de 2012
MINICONTO
Tesouro no jardim
Todos os dias Nicanor levanta da cama, mas
sua cabeça continua grudada no travesseiro, e a primeira coisa que faz é
desenterrar seu tesouro guardado no jardim. À noite, sua última providência,
antes de deitar-se para dormir, é levar o baú até o gramado e ali enterrá-lo novamente.
Ele é feliz porque sabe que sua vida tem sentido.
quarta-feira, 11 de abril de 2012
MINI-CONTOS (3)
Arnaldo ofegava ao depositar as compras da
padaria na calçada. Já sinto o peso do corpo, ele pensou enquanto batia as mãos
nos bolsos da calça e do paletó para descobrir o molho de chaves.
Depois de abrir a pesada porta de ferro com vidros em caixilhos, juntou da calçada as compras e olhou os trinta e dois degraus de escada até o primeiro andar. Teria outro tanto até chegar a seu apartamento.
Depois de abrir a pesada porta de ferro com vidros em caixilhos, juntou da calçada as compras e olhou os trinta e dois degraus de escada até o primeiro andar. Teria outro tanto até chegar a seu apartamento.
Esboçou
um pedido de ajuda. O pedido não se completou.
Um
bando de aves passou levando-o para as nuvens, onde o depositaram num leito
macio.
quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012
MINI CONTOS
Uma noite, ao chegar do serviço em cima de suas pernas dormentes, a cunhada a segurou na cozinha e com a voz escurecida de aspereza disse que assim não dava mais: reclamações dos vizinhos por causa de estrepolias dos dois meninos, a reforma da casa interrompida há mais de um ano, e as despesas excedentes, que vinham pesando muito no orçamento.
quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012
MINI CONTOS
Ricardo não ri
O tio do Ricardo é rico, não ele, filho de uma viúva de funcionário público. Só não morriam de fome porque se contentavam em comer arroz com feijão todos os dias. Apesar da extrema pobreza, o Ricardo ria muito e era quase feliz. Quase, pois lhe faltava o amor.
Na idade de trabalhar, o Ricardo foi trabalhar. E ele, acostumado com as durezas da vida, conseguia rir no serviço. Por isso todos gostavam do Ricardo.
Um dia, contudo, o Ricardo encontrou seu amor e casou. Ele não entendia bem essas questões familiares, mas a mãe, criada em família tradicional, exigiu que seu irmão fosse convidado. O tio rico do Ricardo foi ao casamento, mas antes, dois dias, um caminhão estacionou em frente ao futuro lar e dez homens ou mais ajudaram a descarregar a imensa geladeira que o tio lhe mandava de presente.
O amor de Ricardo, transformado agora em esposa, no dia seguinte ao do casamento abriu a geladeira e começou a planejar o aproveitamento dos espaços.
Hoje o Ricardo não ri mais, pois tem de trabalhar o dobro para não dar aquela impressão de pobreza, que são os espaços vazios de uma geladeira.
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