Conto publicado originalente na Antologia Solidária Barretos.
ONOFRE
(Uilian Gonzales)
Era um conjunto residencial, daqueles muito em moda na primeira metade da década de 90.
Classe média baixa, renda pouca, taxistas, contadores, pequenos empresários.
Prédios de três andares, sem elevador, carros no sol, campo de peteca e uma mal mantida piscina.
Meio velho, decadente, sujo; parecia que os moradores tinham exaurido toda a sua renda no pagamento das prestações do BNH e que nenhuma reforma era acolhida pelos condôminos. É o que se via na pintura descascada e no lamentável estado dos jardins.
Mas, se o dinheiro escasseava, a disposição não; a quantidade de meninos que circulavam pelas partes comuns dava ideia de que todos os maridos estavam funcionando regularmente; também o alarido, o comportamento indicava que se tratava de meninos com uma educação básica, sem finura, sem requintes; eram filhos de pais mais preocupados com outros problemas do dia a dia. Com pouco tempo e dedicação para com os filhos; de famílias sem conversa, cada um na sua.
