Conheci Lila Ripoll nas ruas de Porto Alegre. Conheci de vista, de vê-la passar apontada pelas pessoas: Tá vendo aquela mulher baixinha? É a poeta.
E por onde passava, Lila deixava uma poeira de luz, que transformava o ambiente e nos iluminava. Forte, militante política, respeitada, era, ao lado de Mário Quintana, uma das glórias poéticas do Rio Grande do Sul. Mas a Lila, que nasceu em 1905, espalhou seus cantares até 1967, e sumiu. Poucas pessoas hão de lembrar-se das suas intervenções políticas tanto quanto de sua poesia.
Finalmente o Instituto Estadual do Livro, em 1998, assumiu seu papel e publicou a obra completa da poeta.
Não é coincidência ter morrido três anos depois do golpe militar, que a abalou inclusive com uma prisão.
