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| Wolfgang Iser |
Receptor, destinatário, leitor
Para empregar-se relativo rigor, não se devem confundir receptor e destinatário, sendo que aquele pode ser aproximado do leitor (entidade empírica com capacidade para decodificar a mensagem, quando o faz).
Todo autor, no momento da enunciação, tem em mira um destinatário ideal. "Flaubert confessa que escreveu em parte L'education sentimentale para Sante-Beuve, paradigma do leitor inteligente; Mallarmé exclui a hipótese de os seus textos poéticos se dirigirem a um público de massas; Valéry aconselha a escrever apenas para o leitor "inteligente" e insusceptível de ser dominado por qualquer modalidade de manipulação; Fernando Pessoa/Alberto Caeiro pensa num leitor que saiba ler pacientemente e com espírito pronto, etc. Este leitor assim configurado é um leitor ideal ou um leitor modelo, uma entidade teórica construída por um escritor."
