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quinta-feira, 9 de abril de 2015

QUESTÕES DE ESTÉTICA DA LITERATURA (133)

Marcuse
Para encerrar o capítulo sobre a comunicação literária, transcrevamos os três parágrafos finais:
"A concepção prometaica da comunicação literária, que se desenvolveu na teoria e na praxis sobretudo com o romantismo e, mais acentuadamente, com as literaturas de vanguarda, consubstancia-se paradigmaticamente em textos literários que instituem uma ruptura declarada e violenta com os códigos linguísticos, retórico-estilísticos e semântico-pragmáticos dominantes numa determinada comunidade sociocultural e encontrou a sua teorização mais radical e mais consistente na chamada 'estética da negatividade', defendida por pensadores como Adorno e Marcuse: o texto literário não reflecte nem justifica conformistamente o real estabelecido, mas corrói e anula, pelo seu poder de negatividade, esse mesmo real, manifestando no seu mundo de Schein, de ilusão, a 'verdade subversiva' questionadora da ideologia dominante e antecipando, no plano da utopia, um horizonte de libertação. O efeito social de muitos textos literários de ruptura pode ser intenso, mas relativamente transitório, porque as próprias transformações eventualmente ocorridas na sociedade, ao modificarem o circunstancialismo da recepção literária, determinam a sua exaustão e o seu gradual desaparecimento.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Questões de Estética

“... numa época de superprodução, o seu valor de uso se torna também problemático e se submete finalmente ao deleite secundário do prestígio, da moda e do próprio caráter de mercadoria: paródia da aparência estética.”
Theodor Adorno - Teoria Estética

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

GRANDE SERTÃO: VEREDAS (7)


PARA LER GUIMARÃES ROSA

Um dos maiores escitores brasileiros de todos os tempos, Guimarães Rosa não fez literatura digestiva, banal, a chamada literatura de consumo ou de entretenimento (passatempo). Ele fez literatura arte, e arte, segundo Adorno, só merece tal designação se problematizar a realidade ou a si mesma. GR problematizou ambas.

Sua linguagem atingiu um nível de invençao, a partir de anotações feitas no sertão, que representam o estranhamento (característica da "alta literatura") que muitas vezes assusta o leitor desavisado e de pouca experiência estética.