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domingo, 3 de julho de 2016

JOSÉ CASTELLO ESCREVE SOBRE 'O PESO DA GRAVATA'

O PESO DA GRAVATA e outros contos
Por Menalton Braff

Os contos de Braff apresentam determinada contenção dramática, sem, contudo, dispensarem os adjetivos bem como o gosto pelos detalhes delicados.

José Castello crítico literário

O peso da gravata e outros contos (Primavera Editorial, 176 páginas, R$ 24,90) é o mais recente lançamento do escritor Menalton Braff que chega às livrarias. A obra é apresentada pela Primavera Editorial e brinda o leitor com contos originais, onde o realismo fantástico impera na metade do livro.
São dezoito contos como o de um sobrado deteriorado pelo tempo, e outro de um personagem morto que caminha em direção à sua própria sepultura, para citar apenas dois exemplos. Como é de se esperar, o autor também oferece ao leitor contos que permeiam a dura e cruel realidade do dia a dia, tratando de temas como a morte, a vida e a rotina em que nos envolvemos.

Inventivo como deve ser todo escritor de ficção, Menalton Braff é também sui generis ao dar títulos aos seus escritos. Em O peso da gravata e outros contos temos, entre outros: “Vestido de dor”, “Atordoamento”, “Arrastavam-se móveis”, “Nossa perna”, “O peso da gravata”, que abre a coletânea e empresta o título ao livro.

O leitor, depois de ser envolvido por narrativas surpreendentes, é convidado, ao final, no conto mais longo do livro, a entrar no mundo de um condomínio prestes a ser invadido – uma metáfora. “A portaria ficou deserta do lado de fora, por onde apenas um vento escuro passava com seu cheiro

domingo, 8 de julho de 2012

SOBRE O AUTOR


Na teia do sol

Na verdade, 20 anos depois do ciclo militar, ainda faltava quem se aventurasse a repisá-lo não para um desabafo pessoal, nem para um exercício de historiador, mas para fazer literatura, grande literatura. Esse novo caminho, o literário, se inaugura, agora, com Na Teia do Sol, um aflitivo romance do gaúcho Menalton Braff.
José Castello – O Estado de São Paulo, 24/10/04


terça-feira, 3 de julho de 2012

UMA FAMÍLIA TRADICIONAL E UM CASARÃO


Em agosto, durante a Bienal Internacional do Livro de São Paulo, a Bertrand Brasil, uma editora do grupo Record, estará lançando meu décimo nono livro, o romance O casarão da rua do Rosário.
O casarão da tradicional família Gouveia de Guimarães, aos poucos vai-se vendo cercado pelo mundo moderno, contra o qual resiste.

Em um parágrafo flagrado da orelha do livro, produzida pelo respeitado crítico José Castello, ele assim se expressa:
        
"O romance guarda o ritmo lento e asfixiante que costuma definir o passado. Em nosso século de velocidade e luz, o passado é só uma imagem esmaecida e frágil, que a ficção, com seu poder de recriação, desenterra. A história da matriarca Benvinda Gouveia de Guimarães, austera e poderosa, e do sobrinho rebelde, Palmiro, sintetiza, de modo compacto, os mesmos dilemas e impasses que caracterizaram o período da ditadura. O pai, desaparecido político, é só uma sombra que os envolve. Abrigada por Benvinda, a mãe, pálida e bela, dá aulas particulares para sobreviver. "
Aproveito esta postagem para desfazer um equívoco causado por mim, não sei onde nem quando, muito menos por quê: eu disse, em algum texto de divulgação, que O casarão da rua do Rosário é narrado em terceira pessoa, mas a narração é toda em primeira pessoa, (ou, para falar de maneira mais acadêmica, tem focalização interna). O narrador é Palmiro, o psiquiatra filho de um desaparecido político. Em cada uma das cinco partes, ele toma uma das personagens sobre a qual jogará mais luz. 
Acho que estava falando de um livro e pensando em outro, o que atualmente estou escrevendo. Me perdoem, que o perdão custa muito pouco.