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sábado, 6 de agosto de 2016

O PESO DA GRAVATA TERÁ NOITE DE AUTÓGRAFOS NO RIO DE JANEIRO

A próxima noite de autógrafos do livro 
"O peso da Gravata" 
será no Rio de Janeiro.
Contamos com sua presença! 

Data: 20 de setembro
Horário: das 19h às 22h 
Local: Blooks Livraria -  Espaço Itaú de Cinema
Endereço: Praia de Botafogo, 316 - Espaço Itaú de Cinema

sábado, 30 de julho de 2016

É HOJE!


Esperamos você às 18h, no Centro de Cultura e Ativismo Caipira - CECAC, para o lançamento do livro "O peso da gravata", de Menalton Braff.

Além da noite de autógrafos,  haverá dramatização de um dos contos e apresentação musical. 


"O peso da gravata" é o vigésimo terceiro livro de Menalton Braff e a sua primeira obra inédita pela Primavera Editorial. No início do ano, a editora havia lançado em e-book dois livros do autor já publicados em suporte convencional: "Castelos de papel" e "Na teia do sol".

Enquanto não chega a hora do lançamento, aproveite para ler um dos contos do livro.

A dona da casa*


O silêncio é sua escuridão, por isso viver tornou-se um exercício diário, meticuloso, em que tateia com os pés o piso frio da cozinha, não vá acordar a mãe. Desde o divórcio, vem apalpando a medo os dias e os vazios na consciência da velha mãe, com quem decidiu morar, aproveitando uns restos de responsabilidade familiar. 

Nossas velhices são amparos mútuos, dizia às vezes, em tom de brincadeira, pois sabe-se tão jovem que nem chegou a pensar ainda em aposentadoria.

Depois de abrir a porta dos fundos, costumava entrar pela cozinha, enfia a mão no espaço escuro, acende a lâmpada e entra com silêncio de ladrão experiente. É preciso fazer um lanche para poder dormir. Lava as mãos sujas de giz na torneira da pia e, mesmo sem enxugá-las, põe a frigideira untada de óleo sobre o fogão. Um ovo mexido com pão é tudo que sua mente cansada e o estômago vazio ambicionam.

domingo, 3 de julho de 2016

JOSÉ CASTELLO ESCREVE SOBRE 'O PESO DA GRAVATA'

O PESO DA GRAVATA e outros contos
Por Menalton Braff

Os contos de Braff apresentam determinada contenção dramática, sem, contudo, dispensarem os adjetivos bem como o gosto pelos detalhes delicados.

José Castello crítico literário

O peso da gravata e outros contos (Primavera Editorial, 176 páginas, R$ 24,90) é o mais recente lançamento do escritor Menalton Braff que chega às livrarias. A obra é apresentada pela Primavera Editorial e brinda o leitor com contos originais, onde o realismo fantástico impera na metade do livro.
São dezoito contos como o de um sobrado deteriorado pelo tempo, e outro de um personagem morto que caminha em direção à sua própria sepultura, para citar apenas dois exemplos. Como é de se esperar, o autor também oferece ao leitor contos que permeiam a dura e cruel realidade do dia a dia, tratando de temas como a morte, a vida e a rotina em que nos envolvemos.

Inventivo como deve ser todo escritor de ficção, Menalton Braff é também sui generis ao dar títulos aos seus escritos. Em O peso da gravata e outros contos temos, entre outros: “Vestido de dor”, “Atordoamento”, “Arrastavam-se móveis”, “Nossa perna”, “O peso da gravata”, que abre a coletânea e empresta o título ao livro.

O leitor, depois de ser envolvido por narrativas surpreendentes, é convidado, ao final, no conto mais longo do livro, a entrar no mundo de um condomínio prestes a ser invadido – uma metáfora. “A portaria ficou deserta do lado de fora, por onde apenas um vento escuro passava com seu cheiro

quinta-feira, 2 de junho de 2016

O PESO DA GRAVATA NO BLOG CAFÉ E PROSAS



Menalton lança livro "O PESO DA GRAVATA e outros contos"

Os contos de Braff apresentam determinada contenção dramática, sem, contudo, dispensarem os adjetivos bem como o gosto pelos detalhes delicados. (José Castello, crítico literário)



O peso da gravata e outros contos (Primavera Editorial, 176 páginas, R$ 24,90) é o mais recente lançamento do escritor Menalton Braff que chega às livrarias. A obra é apresentada pela Primavera Editorial e brinda o leitor com contos originais, onde o realismo fantástico impera na metade do livro.

São dezoito contos como o de um sobrado deteriorado pelo tempo, e outro de um personagem morto que caminha em direção à sua própria sepultura, para citar apenas dois exemplos. Como é de se esperar, o autor também oferece ao leitor contos que permeiam a dura e cruel realidade do dia a dia, tratando de temas como a morte, a vida e a rotina em que nos envolvemos.

Inventivo como deve ser todo escritor de ficção, Menalton Braff é também sui generis ao dar títulos aos seus escritos. Em O peso da gravata e outros contos temos, entre outros: “Vestido de dor”, “Atordoamento”, “Arrastavam-se móveis”, “Nossa perna”, “O peso da gravata”, que abre a coletânea e empresta o título ao livro.

O leitor, depois de ser envolvido por narrativas surpreendentes, é convidado, ao final, no conto mais longo do livro, a entrar no mundo de um condomínio prestes a ser invadido – uma metáfora. “A portaria ficou deserta do lado de fora, por onde apenas um vento escuro passava com seu cheiro nauseante. Do lado de dentro, o senhor síndico traçava planos, com mapas e compassos, auxiliado por seu funcionário.” (do conto “Jardim Europa”).


Sobre o autor: Com vinte e três livros publicados e na bagagem um prêmio Jabuti – melhor livro de ficção do ano, em 2000, Menalton Braff, que é gaúcho de Taquara, hoje radicado em

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

UM CONTO PARA SEU FIM DE SEMANA

*O conto a seguir pertence ao livro, ainda inédito, "O peso da gravata e outros contos".

Imperador de papel


Como a descoberta tardia de uma vocação. Ou a descoberta tardia de uma vocação. Talvez o encontro, finalmente, de um si mesmo em potência, latente, que, latejante, vem a furo. Um ser tem escolha de si, do modo como será? Ninguém nasce pronto, forma acabada, mas por isso tem poder de escolha? Nos lugares de sombras, onde o sol jamais, e a umidade, como saber o que existe, se espelho algum desce ao fundo?
Minha culpa, entretanto. Não um pecado, pois já cataloguei minhas descrenças; tampouco um crime, que um crime exige uma ação qualquer. Ou sua omissão. Apenas o exercício da função para a qual me chamaram. Isso pode ser a colisão quase milagrosa de dois corpos na imensidão do universo, mas não há culpa.
Tínhamos decidido, costume antigo, jantar juntos depois da estréia. Na calçada, em frente ao teatro e enquanto as luzes se apagavam, ficamos atônitos com o que vimos.


sexta-feira, 22 de agosto de 2014

UM CONTO PARA SEU FIM DE SEMANA

*O conto a seguir faz parte da coletânea, ainda inédita, "O peso da gravata" e outros contos.

O peso da gravata

 As três notas curtas e uma longa, da Quinta: torpedo. Gonçalo segura o volante com a mão esquerda, liberando a direita para ver que porra de mensagem é esta agora: não esquecer a recepção logo mais às cinco. Joga o aparelho no banco do carona e bate com a mão espalmada na testa: droga, droga, droga! Mais de uma hora pajeando o diretor da Região Sul no aeroporto.
É a terceira vez que manuseia o celular no trajeto curto até o escritório. O aniversário da filha, não se atrasar. A menina em crise, Gonçalo, qualquer hora escapa do controle. Desde quando esta náusea por ouvir a voz da mulher? Depois a secretária. O pessoal da Espanha, doutor Gonçalo, na sala da recepção olhando para o relógio. Muito sérios estes espanhóis, com suas pestanas bastas e as caras de toureiros. Não, medo não, mas eles disseram que embarcam ainda hoje, o senhor está entendendo, doutor Gonçalo? Ainda hoje, e não param de olhar para seus relógios suíços.