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sexta-feira, 10 de agosto de 2018

CONTOS CORRENTES

Conto publicado na Antologia Solidária Barretos.  

A prenda

            (Marcos Diamantino)

O que se passou me foi dito por uma avó, portanto não acrescentarei pontos fictícios nesse  relato. Seria mais didático se me colorissem a tenra idade com aventuras de Peter Pan, mas não teria experimentado, logo cedo, o pavor que uma história pode causar.

Vó Mariana relatava o fato com tal imersão que fazia supor esconder-se atrás de seu magistério uma excelente narradora.

Era um sétimo dia de janeiro daquele ano mais ou menos remoto. Nem os aguaceiros da temporada serviam para deter a realização da festa na frente da igreja. A previsão de tempestade para aqueles dias talvez impedisse algo, mas as beatas incluíam, em suas rezas no genuflexório, o pedido de não pingar uma gota sequer durante o período da quermesse em louvor ao padroeiro.

Tudo foi organizado com esmero na intenção da renda ser revertida à paróquia para a pintura da igreja, a mesma que me acolhe aos domingos e que, como uma velha árvore, vive descascando.

Fazendo as vezes de coreto a laje que cobria os mictórios enterrados recebia a apresentação da banda. Naquela temporada já sem o magnífico Realindo que havia trocado a tuba pela harpa celestial.

quinta-feira, 12 de julho de 2018

ANTOLOGIA SOLIDÁRIA

Barretos não tem só “peão de boiadeiro”, Barretos tem cultura. Já passei por lá diversas vezes em missões literárias. Me lembro do Matinas Suzuki, intelectual e agitador cultural cujas marcas persistem na cidade. Matinas nos deixou e o bastão de estafeta foi assumido pela escritora Sada Ali.

Com o secretário da Cultura de Barretos, João Batista Chicalé
A Sada, uma pessoa mergulhada em sua realidade social e na vida da cidade, criou (não sem a participação do Depto. de Cultura do município e outras pessoas da área) um projeto em que literatura e ação social se conjugam. A Antologia Solidária reuniu (através de concurso) vinte autores da cidade dos mais variados gêneros para que se integrassem ao livro editado pela Editora Pirapora. Foi também participante da organização o Luiz Felipe Nunes, dono da
editora.

Na noite do lançamento, os livros foram vendidos ao público em geral e a verba arrecadada
será entregue ao Fundo Social da Prefeitura local.

Como tive a honra de prefaciar a coletânea, fui também convidado a autografar os livros na
noite de seu lançamento. Foi uma festa e tanto à frente da Livraria Nobel, no North Shopping
de Barretos, uma cidade que está de parabéns.

Vejam a cobertura fotográfica do evento:

Com a organizadora da Antologia Solidária Sada Ali


Entrevistas para a Rede Vida e o jornal O Diário


Entrevista para a TVB












sexta-feira, 20 de abril de 2018

CONTOS CORRENTES

Matraca e Carcará 
(Sada Ali)

A matraca açoitava, reproduzindo estalos idênticos e monótonos. O braço musculoso do homem – anos de destreza, cintilava sob as gotículas do suor da faina diária. Sobreviver sangrava, flagelava o mundaréu de ossos desconjuntados do pobre que arrastava pés e pernas já cansados da vidinha-de-meu-deus. Cada passo um esforço; e carregar a matraca agregava outro suplício. Mantê-la na posição vertical, tortura. Acachapa a fraqueza e a arrasta, já sem tanta galhardia. Se roupa rota teria que coser com linha de saco pra rasgo remendar, farrapo de gente nada a reparar – sopesava no resto de miolo bom dum cérebro já cozido pelo quentume do sol.

Meus ouvidos se abriam e a boca salivava. A casquinha de biju era o meu biscoito mais querido. Para infortúnio dos que podiam bancar, sobrava um tanto no chão ainda maior do que o naco retido em suas mãos diria afortunadas, ricas; arriscaria até nobres. Desdito alheio, mas para mim o único tempo de provar daquela gostosura que, como a matraca, reverberava em minha mente petiz. Ribombava. Atordoava. Insistia. Ecoava. Fome. Tinha

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

PÉ NA ESTRADA


A convite da Academia Barretense de Cultura, no próximo dia 21 de outubro, às 20h, estarei na cidade para proferir uma palestra sobre a narrativa literária. Meus agradecimentos à escritora Sada Ali, que estabeleceu os primeiros contatos e ao José Antônio Merenda, que bateu o martelo.