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domingo, 18 de junho de 2017

LANÇAMENTOS DA SEMANA


TÍTULO: Atlas do impossível
AUTOR: Edmar Monteiro  Filho
GÊNERO: contos
EDITORA: Penalux

DATA: 22 de junho
HORA: 19h33
LOCAL:  Bar Clube
ENDEREÇO: Rua Prudente de Moraes, 114 - Amparo - São Paulo




TÍTULO: Terno de Reis
AUTOR: Daniel Brazil
GÊNERO: romance
EDITORA: Penalux

DATA: 22 de junho
HORA: 19h33
LOCAL:  Bar Clube
ENDEREÇO: Rua Prudente de Mraes, 114 - Amparo - São Paulo


* Os dois  livros serão lançados no mesmo evento e haverá  ainda a abertura da exposição "Ao longo de paisagens imaginadas", de Eiane Gallo.

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

UM CONTO PARA SEU FIM DE SEMANA

O conto a seguir está na coletânea À sombra do cipreste, 6ª ed. pela Global Editora, Prêmio Jabuti, livro do ano, em 2000.

Terno de reis

Enxuguei as mãos no vestido, urgente, e, do jeito que estava, apareci por trás das crianças, protegida, na porta da sala, onde não cabia mais ninguém. O brilho excessivo das vestes reais, franjas e bandeiras coloridas, o séquito ruidoso que acompanha os cantadores, me pareceram sempre um conjunto grotesco que me intimidava. Ajeitei por cima da orelha um fiapo solto de cabelo que me incomodava, tentei disfarçar o embaraço. Depois de passar a tarde em preparativos certa de que eles viriam, de que outra vez invadiriam nossa casa, como todos os anos, ainda sentia as mãos geladas e a testa úmida porque o ritual, embora saiba que não muda, parece nunca ser o mesmo - uma surpresa: as risadas de sempre, cochichos e cumprimentos, o primeiro acorde do violão anunciando o início da cantoria.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

FRAGENTOS DE CONTOS: DO LIVRO À SOMBRA DO CIPRESTE


Terno de Reis
"Em que poderia a vida ter sido diferente? Estremeço com essa pergunta, e meus olhos secos e abismados não encontram resposta, porque é noite, há muito tempo que é noite."
Relógio de Pêndulo
"Quando a manhã, azulada de orvalho, vem bater à janela da cozinha, ainda sinto o cheiro forte de estrada que ficou na cadeira vazia."

No Dorso do Granito
"Quando a lua se desprende dos galhos do mais alto açoita-cavalo e põe-se no céu a flutuar, Solano abre todos os sentidos, engatilhado e tenso, a partir de agora a qualquer momento."

Elefante Azul
"É fraca, muito fraca mesmo, esta luz amarela que, silenciosa, desce do teto e escorrega pelas paredes nuas, ricocheteando sem alvoroço nos ângulos mais salientes de nossos parcos móveis de cozinha."

Crispação
"O relógio, o elefante azul de gesso, o guardanapo, a pilha de pratos por trás da vidraça. Há mais de duas horas a vã procura do que se dizerem. A vida comum em descomunhão. Em dez anos atingiram a solidão, feriram de morte o sortilégio dos desvendamentos."

Adeus, meu Pai
"Portas e janelas mantêm-se fechadas desde o início da noite: o frio lá fora, rondando a casa, silencioso, enquanto na sala enfumaçada de vez em quando alguém abafa a tosse com a mão, pede um copo dágua, tenta espantar o sono."


quinta-feira, 22 de março de 2012

FRAGMENTOS DOS CONTOS DE À SOMBRA DO CIPRESTE


Quando a manhã, azulada de orvalho, vem bater à janela da cozinha, ainda sinto o cheiro forte de estrada que ficou na cadeira vazia.

         (O relógio de pêndulo)


Em que poderia a vida ter sido diferente? Estremeço com essa pergunta, e meus olhos secos e abismados não encontram resposta, porque é noite, há muito tempo que é noite.

(Terno de reis)