sábado, 3 de dezembro de 2016

PÉ NA ESTRADA

Olá, pessoal, o ano chegando ao fim mas o pé continua na estrada. Desta vez vou bater papo com as crianças da Escola Favinho de Mel, de Ribeirão Preto. Uma classe leu meu livro infantil "Gambito" e os aluninhos me mandaram um vídeo cantando e olhando pra mim, com olhos de convite. Posso me negar? Claro que não posso. Então no dia 6 de dezembro, a partir das 8h, estarei com eles, desde já agradecendo à direção da escola e principalmente à professora Jaqueline, que organizou este encontro. Tenho certeza de que será um encontro prazeroso.

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sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

CONTOS CORRENTES

Trajeto
(Geraldo Lima*)


Esperou por ela ali no quarto.
Esperou que ela entrasse e fosse direto para o banheiro, como era de costume. Ah, sempre com a bexiga cheia, prestes a estourar. Ouviu o baque da porta sendo fechada e em seguida o jato do xixi batendo na água do vaso sanitário. O barulho da descarga, da porta sendo aberta  e, por fim,  o som de passos vindo em direção ao quarto.
Esperou sentado na borda da cama. Mas a espera tornava-se mais longa do que ele desejava. Os passos pareciam fazer um trajeto enorme, como se de repente a casa tivesse triplicado de tamanho. Para aumentar-lhe a ansiedade, ela fez um pequeno desvio e passou primeiro pela cozinha. Havia se esquecido de que, vez ou outra, ela chegava faminta. Cansada e faminta.

Esperou sentado na borda da cama e com o envelope pardo numa das mãos. Ela iria perceber, tão logo passasse pelo vão da porta, que o rosto dele não trazia aquela serenidade de sempre, o sorriso e a alegria por vê-la chegar em casa depois do trabalho. O quadro era outro, turvo e sombrio.

Esperou sentado na borda da cama até os passos começarem a ressoar como se já estivessem dentro do quarto. O coração deu um salto grande e sufocante, obrigando-o a se pôr de pé. No envelope pardo, as mãos deixavam marcas de suor e nervosismo. Diante dessa imagem desbotada e corrompida pela dor, ela entendeu logo a razão daquele envelope brandido com fúria junto ao seu rosto.

Ela
(Geraldo Lima*)

É como se não tivesse ficado tanto tempo longe de casa. Como se não tivesse, num rompante do mais louco romantismo, abandonado tudo em nome do amor mais extremo. Olhando-a assim, tão desenvolta na casa que ela renegou um

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

ESPIANDO POR DENTRO

Esta coluna reúne críticas literárias elaboradas por Menalton Braff e postadas originalmente em seu site www.menalton.com.br.

Livro Analisado: Vidas Secas
Autor: Graciliano Ramos

A obra  - Vidas Secas é a última obra de Graciliano Ramos, o mais importante escritor da geração de 30. Retrata a vida de uma família de retirantes nordestinos, que fogem da seca. Consequência da vida que levam, sua vida é elementarizada. Pouco falam, às vezes grunhem, gesticulam lentamente. Na primeira viagem, a fome os obriga a sacrificar um dos membros da família: o papagaio. Encontram, finalmente, um rancho abandonado, onde se instalam e de onde veem chegar a chuva. Ocupam a pousada até que chega o dono das terras, que contrata Fabiano como vaqueiro. Doente Baleia, Fabiano obriga-se a matá-la. O tempo passa e as chuvas deixam de cair. No capítulo "O mundo coberto de penas" antecipa-se nova seca. Novamente os retirantes juntam sua tralha e ganham a estrada.

Personagens:

Fabiano - Pai de família, homem rude, de poucas luzes. Anda de braços desasados, pernas tortas, quase nunca fala. O narrador, ironicamente, sempre que descreve o personagem, compara-o a seres elementares. Ele é uma extensão da natureza. Por outro lado, sempre que descreve a natureza, o
narrador antropoformiza-a, num nivelamento geral de todos os seres, mesmo os humanos. Analfabeto, seu grande ídolo é o Sr. Tomás da bolandeira.

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

CANTIGAS DE AMIGOS

EM ALGUM LUGAR DO PASSADO

(Cássio Vasconcelos*)

"Saudade de mim
Saudade doida de mim
Daquilo que um dia senti
Daquilo que um dia 'sofri'
Dos sonhos que sonhei
Da certeza que tinha
De que tudo venceria
De que algum dia feliz seria
Saudade daquela saudade ingênua
Cheia de emoção, esperança
Saudade repleta de paixão
De que um dia me reencontraria
Naquele mesmo velho turbilhão
Que sempre ocultava o que viria
Saudade de mim
Saudade doida de mim
Daquilo que um dia perdi
Daquilo que um dia fugi
Não desta saudade morna, amena
Pálida, sem graça
Que já não se alegra com nada
Saudade desiludida
Que raro se faz ouvir
Largada num canto
Desencantada de mim
Saudade presente da 'sabedoria'
Conta as horas para a despedida
Das 'dores' que construíram uma vida
Saudade de mim
Saudade doida de mim
Daquilo que já esqueci

Daquilo que não vivi"

* Cássio Vasconcelos é jornalista e poeta.

terça-feira, 29 de novembro de 2016

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segunda-feira, 28 de novembro de 2016

CARTA CAPITAL| UMA REFLEXÃO SOBRE O HUMOR

Acesse a publicação original

Uma reflexão sobre o humor

Nada é mais temido por qualquer homem público, nada é mais corrosivo para sua imagem e seu prestígio do que o riso

Umberto Eco, em seu monumental romance O nome da rosa, propõe uma das mais contundentes reflexões de que se tem notícia a respeito do riso e suas relações com a Igreja.

Certo que o mundo andou, que não estamos na Idade Média, e que muita coisa mudou, mas é sempre prazeroso voltar ao texto do autor:

‒ Mas o que te assustou nesse discurso sobre o riso? Não eliminas o riso eliminando o livro.