segunda-feira, 15 de outubro de 2018

CARTAS DO INTERIOR

A escada que leva ao céu


Pessoa de minha total confiança foi quem me contou. Uma dessas loiras contratadas por canais de televisão para divertir e instruir o povo brasileiro foi pega cometendo o que mais elas cometem: uma gafe dantesca. São esses os momentos em que mais sentimos a falta do Stanislaw Ponte Preta. Sentimos nós, os que tiveram a sorte de viver numa época em que ele vivia. E escrevia. Seu Festival de Besteiras que Assolam o País, além de fazer as delícias de uma geração inteira, era uma válvula na
panela de pressão, que foi a ditadura de 1964, mas não eram besteiras apenas de políticos. Uma de suas frases mais célebres ─ “Televisão é máquina de fazer doido” ─ comprova a abrangência de seu olhar arguto e caberia muito bem neste caso relatado por meu amigo.

A dita loira, interrogada por alguém sobre A divina comédia, de Dante (mas isso também já é crueldade), não teve dúvida e lascou, com a maior cara-de-pau, que tinha rido do início ao fim do livro. Pobres meninas, obrigadas que são, no fogaréu de programas ao vivo, a fingir o que não são porque não podem decepcionar seu público sempre ávido por heroínas.

Conheço muita gente que nos continua merecendo o maior respeito e que confessa honestamente não ter lido A divina comédia. Pode ser uma deficiência cultural, jamais um defeito humano. Mas nossas apresentadoras, as tais heroínas, não sabem disso.

A palavra “comédia”, nos séculos XIII e XIV, quando Dante viveu, não significava o mesmo que hoje. Transcrevo de um prefácio de Hernâni Donato para uma edição brasileira da Divina Comédia, o seguinte: “’cômico’ designava o estilo preferentemente adotado para tratar assuntos em que ao

sábado, 13 de outubro de 2018

sexta-feira, 12 de outubro de 2018

CONTOS CORRENTES

Conto publicado na Antologia Solidária Barretos

Sidcley e o Futebol

Raquel Milagres de Mattos 
I

A final do campeonato estadual estava acirrada e não havia chance das equipes atacarem com possibilidade real de gol. O técnico saca do time dois figurões – que não estavam fazendo nada, só se arrastando e perdendo a bola – e coloca dois novatos. Se era pra perder, que fosse arriscando e não sendo chamado de atrasado. Há 10 anos o time não era campeão e a cobrança de todo mundo era muito grande e, com a chegada à final, a pressão aumentara.

Um dos meninos que era a opção do técnico – Sidcley – era o mais tímido deles e mal podia acreditar na sua sorte. Ia jogar! Iria realizar o sonho de menino! Na concentração e nos treinos, era deixado de lados por seus companheiros e até mesmo seu técnico não lhe dava as devidas oportunidades. Os demais se reuniam e grupos de orações, Glória a Deus – eles gritavam, mas o deixavam de fora. No fundo ele achava melhor, mesmo. Sua mãe sempre dizia pra se afastar daqueles que falam uma coisa e fazem o contrário. Mas, às vezes, ele se questionava: O que eu fiz para eles? Por que eles me odeiam se nem me conhecem? Queria mesmo deixar pra lá, mas ainda não conseguia de fato.

Com um misto de curiosidade, perplexidade e euforia, parou à beirada do campo e recebeu tapinhas nas costas do treinador, do preparador físico – que até lhe ofereceu um copo d’água – do jogador que havia saído para ele entrar. Surpreso pela recepção, Sidcley se sentia entorpecido. Entrou em campo com o pé direito, se benzeu – como sua mãe havia lhe ensinado – e correu para o meio, onde era seu

quinta-feira, 11 de outubro de 2018

VALE A PENA VER DE NOVO


Esta coluna reúne vídeos com falas de Menalton Braff postadas anteriormente aqui no blog sobre seus livros ou sobre temas da literatura.  Na gravação escolhida  para hoje, o tema  é " A evolução da narrativa". O vídeo foi produzido pela Global Editora.

       

quarta-feira, 10 de outubro de 2018

CANTIGAS DE AMIGOS

Poema publicado na Antologia Solidária Berretos

“Começo de um fim”             

(Adriana Queiroz)


Uivos surdos
Na noite adentro
Cães eufóricos
Com seu vozerio feroz
Um grito de horror
Surge com a noite
Resplandecem ao morro
Sob a lua refletida
No vento surdo
Ecoam vozes
De ondas que crescem contra os rochedos

terça-feira, 9 de outubro de 2018

RETALHOS

Esta coluna publica trechos de livros de Menalton Braff, lidos pelo próprio autor. O 'retalho' de hoje é do romance "A Muralha de Adriano".