sábado, 14 de dezembro de 2019

LANÇAMENTO EM RIBEIRÃO

Ribeirão Preto foi a primeira cidade brasileira a sediar uma noite de autógrafos do livro "Quincasblog: Meus Encontros",do embaixador Lauro Moreira. O evento foi realizado ontem, na sala Meira Júnior, do Teatro Pedro II.

Os escritores Menalton Braff, Alfredo Rossetti e Luz Fernando Valadares participaram do evento como convidados, comentando o livro e episódios da vida do autor.

O lançamento contou, ainda com uma apresentação do Quarteto de Cordas da Orquestra Sinfônica  de Ribeirão Preto e com a leitura, por parte do próprio Lauro Moreira, de uma das crônicas do livro crônica sobre o Brasil e os brasileiros.

O livro "Quincasblog: Meus Encontros" havia sido lançado em 25 de novembro no Grêmio Literário, em Lisboa, com apresentação do crítico literário Antônio Waldemar e do escritor Mário Máximo.



sexta-feira, 13 de dezembro de 2019

CONTOS CORRENTES

NÁUFRAGOS*

(Nic Cardeal)

Ele prometeu voltar depois do outono. Ela fez de conta que acreditou. Ele havia esquecido a chave no carro. Ela arrumou as malas e foi para a praia. Ele percebeu algo estranho durante o banho. Ela atirou-se ao mar sem avisar. Ele encontrou a carta sobre a descarga. Ela descarregou a dor por cima das águas salgadas. Ele deixou a água escorrendo a transbordar na banheira. Ela escorregou por baixo das ondas geladas. Ele chorou dores vivas entre as letras mortas das folhas gastas. Ela perdeu o pé e a água era tão funda. Ele gritou por ela pingando tristezas no envelope rasgado. Ela sangrou a boca na pedra afiada. Ele atirou a carta em pedaços janela afora. Ela respirou o mar inteiro boca adentro. Ele deitou a cabeça zonza no travesseiro. Ela engoliu pesadelos derradeiros no abismo profundo. Ele sonhou delírios azuis na madrugada.

Sobraram restos indigestos naufragados de amor.


*Da série ‘contos em miniatura para dores máximas’.

quinta-feira, 12 de dezembro de 2019

CRÍTICA LITERÁRIA

Esta coluna, iniciada em outubro, reúne críticas literárias. As primeiras postagens conterão textos de Wagner Coriolano de Abreu, publicados originalmente no livro SEMPRE AOS PARES, lançado pela Carta Editora.


AS BARBAS E A DITADURA

(Wagner Coriolano de Abreu)

No Brasil dos anos setenta, o cidadão que usasse barbas longas tornava-se um suspeito perante as autoridades e era procurado para esclarecimentos de ordem política, social e profissional. O barbudo que ficasse a fumar seu cigarro na esquina, por exemplo, já se enrolava junto aos donos do poder e seu órgão de informações.

Foi o tempo da ditadura militar, período em que o país ficou nas mãos de apenas um chefe e seus homens que, por vias da força, fecharam os espaços de participação política, a começar pelo Con-
gresso Nacional, estendendo-se às reuniões em praça pública. A censura que impuseram atingiu as raias da loucura, através de atos absurdos, não só contra quem não fosse a favor da ideologia e se
opusesse cara a cara, mas também contra as pessoas inocentes, os lazeres populares e as manifestações artísticas.

Os homens barbudos foram tomados como partidários do comunismo, embora nem todos o fossem. A ditadura usou o expediente capcioso de rotular os adversários como comunistas, para melhor 
atingir objetivos de controle social e estabelecer a ordem imperialista ditada pelos Estados Unidos. Pode-se dizer que a ditadura fez muito mal aos rapazes que apenas cofiavam suas barbas com outros interesses e estavam alienados dos rumos do país.

Esta época, contudo, deixou também, como legado para as novas gerações, atos de coragem, que merecem ser relembrados. É o 36 SEMPRE AOS PARES caso da obra literária Sombras de reis barbudos, de José Jacinto Veiga, que veio a lume na pior hora do regime, bem no início dos anos setenta.

O livro trata da história do menino Lucas e sua gente, numa cidade invadida por uma Companhia de Melhoramentos, que piorava a vida de todos, através de proibições. Em linguagem culta e descontraída, a história logo se tornou motivo de alusões nos meios intelectualizados e uma espécie de senha para a resistência nacional. Mesmo que os estudiosos tenham criado o conceito de fantástico ou realismo mágico, a fim de explicarem algumas referências daquele momento, nem tudo ficou bem explicado e é preciso continuar na militância da memória. A leitura dos anos de chumbo, como se dizia, abre-se em novas conotações neste texto do escritor goiano, conhecido também pelo livro A hora dos ruminantes e pelo fato de ser leitor de Erico Verissimo.

quarta-feira, 11 de dezembro de 2019

LANÇAMENTO DA SEMANA

Na próxima sexta-feira, dia 13 de dezembro, o embaixador Lauro Moreira lançará em Ribeirão Preto, o livro "Quincasblog: Meus Encontros".                                                                                    O livro reúne crônicas memorialísticas e será apresentado pelos escritores Alfredo Rossetti e Menalton Braff.                                                                                                                                    O evento será realizado na sala Meira Júnior, do Teatro Pedro II, a partir das 19h. Estão todos convidados!



CANTIGAS DE AMIGOS

VENTO MEU

(Alfredo Rossetti*)

há um vento meu
que não sei se real
ou invento d’arte
já veio como tufão
em verso de brisa leve
já secou roupa molhada
derrubou porta fechada
já confortou meu rosto
levou meu chapéu
trouxe areia pros olhos
poesia nos cabelos dela
não sei se é um vento d’arte
ou um invento meu
só sei que tem faces:
uma me carrega a calma
outra me traz castidade
às vezes eriça meus pelos
liberta demônios rapaces
que assoviam nos sentidos
tem o canto da anunciaqcão
que embala as palmeiras
um vento sim, que inventa
a voga da nota da flauta doce
(podia me levar para o mar)
há um vento todo meu
real ou invento d’arte
de olho nas minhas cinzas

*Poema publicado originalmente no livro VOZ.

terça-feira, 10 de dezembro de 2019

CRIE SEU PRÓPRIO GRUPO DE LEITURA

Última reunião de 2019
O Grupo Dom Quixote de Leitura completa a maior idade e, para comemorar, estamos fazendo uma proposta a todos que gostam de bons livros: reúnam os amigos e criem grupos de leitura.

A ação atende a um duplo objetivo: movimentar o mercado editorial, que não está em seu melhor momento, e aumentar o nível de leitura no país. Isso sem contar nos benefícios de se ler pelo menos seis livros ao ano, se a periodicidade for bimestral e passar excelentes momentos discutindo as impressões sobre cada leitura.

Amigo secreto de 2018: só com livros
SALVAR O MERCADO E AUMENTAR O ÍNDICE DE LEITURA

Seis livros de literatura ao ano pode parecer pouco, mas seria um grande avanço, a julgar pelas estatísticas. Segundo a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, realizada pelo Instituto Pró-Livro em 2016, com o apoio da Associação Brasileira de Editores de Livros Escolares, Câmara Brasileira do Livro e Sindicato Nacional dos Editores de Livros, o índice médio de leitura por pessoa, no Brasil, é de apenas 4,96 livros/ano, e, se excluirmos os didáticos, esse número cai para 2,9 livros/ano. 


UM EXEMPLO QUE PODE SER SEGUIDO

Esperando que o exemplo sirva de inspiração, vamos mostrar um pouco do nosso Grupo de Leitura Dom Quixote, que há 18 anos se reúne em Ribeirão Preto. 

O número de participantes varia: uns saem, outros entram, alguns morreram ou se mudaram para outra cidade, mas o grupo permanece e atualmente tem uma programação de leitura mensal totalizando 11 livros ao ano. O mês de dezembro é reservado à confraternização com um amigo secreto só de livros.

As reuniões mensais acontecem aos domingos, de 9 às 11 da manhã. O objetivo é compartilhar as impressões da leitura feita no mês anterior. Nesses 18 anos de leitura, o grupo já leu mais de 200 livros, entre os quais estão: O Processo, de Franz Kafka, A chave da casa, da Tatiana Salem Levy, Bichos, do Miguel Torga, Às avessas, de Huysmans, O Delfim, do escritor português José Cardoso Pires, O Leopardo, de Giuseppe Tomasi di Lampedusa, Hora de alimentar serpentes, de Marina Colasanti, Flores Azuis, da escritora Carola Saavedra, Veia bailarina, de Ignácio de Loyola Brandão, Contagem Regressiva, de Vanessa Maranha, A confissão de Lúcio, de Mário de Sá-Carneiro, Violeta velha e outras flores, do Matheus Arcaro, As afinidades eletivas, de Goethe, para citar apenas alguns.