domingo, 18 de fevereiro de 2018

UMA NOITE DE POESIA

Poesia na música, poesia na parede, poesia no corpo, poesia nos varais. Quem foi ontem ao Sarau da Vela, experimentou formas diversas de manifestação artística. 

A noite foi aberta por Menalton, com a leitura do conto "O peso da gravata", que dá nome a sua última coletânea, publicada em 2016 pela Primavera Editorial.

Depois teve grafiti, música, exposição, tatoo, e tudo que um bom sarau pode ter. 

sábado, 17 de fevereiro de 2018

HOJE, ÀS 17H: MENALTON NO PROGRAMA IDENTIDADE


A Tv Thathi, de Ribeirão Preto, exibe hoje, às 17h, a terceira edição do seu novo programa Identidade e o entrevistado da semana é Menalton Braff.

O programa Identidade reúne histórias de vida de profissionais de sucesso nas mais diversas áreas.

Quem perder a exibição de hoje terá duas novas chances:

Domingo (amanhã, dia 18), às 14h30
Segunda (dia 19), às 20h.

A TV THATHI está no canal 22 da NET e 522 da NET Digital.

É HOJE!

Se você vive na região de Ribeirão Preto, não perca hoje o Sarau da Vela , a partir das 20h, na sede do Instituto Esfera, em Ribeirão Preto.

O evento é aberto ao público e contará com os seguintes convidados:

Menlton Braff  (autor)
Letícia Depiro (mestre de cerimônia)
Calil João (flash tatoo)
Alexandre Brant (músico)
Thainá Rossati (expositora)
Le Artioli (recheio de bolo/intervenções)
Renato Andrade (ilustrador)

Serviço:
Informações e inscrições  no Instituto Esfera.
Rua Amador Bueno, 1300
Centro, Ribeirão Preto-SP
contato@institutoesfera.com

(16) 98146-0791 | 98121-2145

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

CONTOS CORRENTES

(Conto de Evandro Affonso Ferreira*)

Caminho mais uma vez pelas avenidas desta cidade apressurada, cuja atmosfera permanece suja. Possivelmente procuro tempo todo o imprevisto. Caminho - eu, a melancolia e seus apetrechos sombrios. Meu semblante, este sim, continua resignado. Acho que sou melancólico artificial. Seja como for, ainda tenho saudade dos meus joviais tempos de embriaguez absoluta. Hoje vivo assim: afeiçoado à ociosidade lírica; escrevendo feito agora numa mesa de confeitaria. Fingindo conjecturas: posando de escritor para moça sentada sozinha à minha esquerda. Não tem entusiasmante beleza. Pouco importa: juventude traz em si aspecto luzidio, reluzente. Olhei para ela duas, três vezes sem entusiasmo - já não encontro mais devassidão nem mesmo nele meu olhar. Sei que ela nunca será minha confidente: jovem demais para gastar tempo ouvindo retrospectivas lamuriosas. Eu? Tenho grande passado pela frente. Sim: tempo todo reatiçado pelas reminiscências. Envelhecer é olhar sempre para trás – mulher de Lot em tempo integral. Assim como os chineses veem as horas no olho dos gatos, também vi agora as horas no olho daquela jovem: já é muito tarde para mim.


* Evandro Affonso Ferreira é autor de vários romances, entre eles "Minha mãe se matou sem dizer adeus" (Prêmio APCA Melhor romance de 2010 e "O Mendigo que sabia de cor os adágios de Erasmo de Rotherdam" (Prêmio Jabuti Melhor romance de 2012).

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

MENALTON NO SARAU DA VELA

No próximo sábado, dia 17, Menalton Braff será o autor convidado do Sarau da Vela –  evento mensal do Instituto Esfera, realizado na sede da entidade, em Ribeirão Preto.

A 26ª edição do sarau terá como mestre de cerimônias a estudante de Rádio e TV Letícia Depiro e contará também com a participação dos seguintes artistas:

Calil João (flash tatoo)
Alexandre Brant (músico)
ThaináRossati (expositora)
Le Artioli (recheio de bolo/intervenções)
Renato Andrade (ilustrador)

O objetivo do Sarau da Vela promover a sociabilização do conhecimento artístico. Trata-se de um evento livre e aberto ao público. Para participar, basta fazer a inscrição. Além dos inscritos, o sarau recebe sempre lalguns artistas convidados.

Serviço:
Informações e inscrições  no Instituto Esfera.
Rua Amador Bueno, 1300
Centro, Ribeirão Preto-SP
contato@institutoesfera.com

(16) 98146-0791 | 98121-2145

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

CARNAVAL LITERÁRIO 6

Hoje é o último dia do nosso CARNAVAL LITERÁRIO. Desde sexta-feira estamos postando contos de Menalton Braff para os que não caíram na folia e também para os carnavalescos que conseguiram reservar um tempinho para ler entre uma farra e outra.

O conto desta quarta integra o livro A COLEIRA NO PESCOÇO.

O caso das digitais perdidas


 Meu nome?, perguntei espantado, porque me pareceu uma exigência descabida, uma cilada que eu deveria evitar. Talvez uma curva perigosa, escorregadia. Mesmo assim, como não tivesse escolha, olhei para o teto baixo da sala mal iluminada e percebi que havia teias de aranha nos quatro cantos. Eu continuava pensando no que poderia significar tudo aquilo, se é que podia significar alguma coisa. Já bem perto do pânico, voltei a encarar o Escrivão. Minhas mãos, apoiadas nas coxas, começaram a verter um suor esverdeado e quente, um azinhavre pegajoso. Sou assim: cada vez que enfrento uma situação difícil, me desmancho um pouco. Ao sentir as mãos grudando na calça, respirei fundo como em preparação para um grande esforço, um gesto de verdadeira ferocidade. Meu nome?, repeti mais baixo, como pergunta que não espera resposta, porque apenas tenta protelar o desfecho. Uma pergunta que não é propriamente uma pergunta, é um marco no chão, um rego escuro entre os canteiros de uma horta. Ou na testa. Com a mão esquerda abri mais a gola da camisa quente. Abafado

terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

CARNAVAL LITERÁRIO 5

Desde sexta-feira até a quarta de cinzas, estamos postando contos de Menalton Braff para os que não vão cair na folia e também para os carnavalescos que tiverem um tempinho entre uma farra e outra.

O conto escolhido para hoje está publicado no livro  À SOMBRA DO CIPRESTE - livro do ano do Jabuti 2.000 (1ª Edição da Palavra Mágica  /  2ª Edição da Global)

O voo da águia 
Quando ele me agarrou pelo braço (manchas roxas, ainda, de seus dedos magros) e me puxou
dizendo preciso conversar com alguém, os primeiros letreiros de néon começavam a piscar dentro de seus olhos opacos. Então tive o pressentimento de que a noite em breve estaria vertendo do manto da garoa fina que esfumava as altas silhuetas dos edifícios no centro da cidade. Gesto brusco, um safanão: meu susto. É uma ponte, é só uma ponte, ele repetia enquanto me empurrava para dentro do bar. Apesar de trêmula, hesitante talvez, sua voz escura não admitia resistência, pois subia-lhe das regiões viscerais, onde tudo é urgente e inapelável. Entrei me perguntando de que recanto esquecido da minha vida surgiam agora aqueles traços familiares que descobri por baixo de tanta ruína.
As garrafas de cerveja vazias sobre a mesa e o cinzeiro transbordante eram os vestígios deixados pela tocaia de longas horas acontecida naquele canto de sala. A vida e os transeuntes, por certo, tinham desfilado desapercebidamente por trás das sujas vidraças da janela que dava para a calçada. A