segunda-feira, 29 de agosto de 2016

CARTA CAPITAL| DEMOCRACIA É ASSIM

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Democracia é assim

Quem se importa com saúde e educação?

Vereador não se torna vereador sem que você queira. É o seu voto que o guinda aos bancos da edilidade. Então agora aguenta. Democracia é assim mesmo. Somos chamados a participar da vida pública apenas no dia de eleição. Anda todo mundo metendo a boca em nossos edis somente porque eles preferiram andar de carro zero quilômetro. Eu, pra falar a verdade, também prefiro, mas nunca pensei em me candidatar a coisa nenhuma. Azar o meu, que continuo um cidadão dos comuns, desses que andam aí pelas ruas e ninguém pergunta quem é aquele cara ali.

Depois das eleições, durante quatro anos temos de ver e calar porque não há força que tire os vereadores do castelo encantado para onde os enviamos.

domingo, 28 de agosto de 2016

BATE-PAPO NA BIENAL

Na próxima quinta, dia 1º de setembro, Menalton Braff conversará com o público da Bienal do Livro de São Paulo, que acontece no no Pavilhão de Exposições do Anhembi.

O tema do encontro será "Fluxo de consciência na literatura".

A conversa está marcada para as 17h, no stand da Primavera Editorial.

No mapa ao lado, você encontrará o endereço e a localização do stand.

Contamos com sua presença!

sábado, 27 de agosto de 2016

LIVRO RECEBIDO NA SEMANA

Título: Cantares do vento
Autora: Maria Gorete de Moura
Gênero: Poesia
Editora: FIC - Fundo de Investimentos Culturais MS


Da Apresentação:

"Cantares do vento é um  livro que canta para o leitor. Nele, Maria Gorete de Moura se expressa com musicalidade e nos transporta para um mundo de puro encantamento. De forma harmoniosa, derrama pelas páginas acordes de uma alma contemplativa, romântica e questionadora."

                             Ileides Muller

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

CONTOS CORRENTES

A MOÇA DO VIOLINO
De Ecilla Bezerra*

Havia dez meses e onze dias que a moça do violino embarcava no mesmo ônibus que eu no ponto final do nosso bairro.  Ela me lembrava Audrey Hepburn.  Para quem não sabe, a atriz protagonizou um filme que a tornou célebre: o imortal Bonequinha de Luxo.   Audrey, em seus filmes, desfilava modelos clássicos, que viravam moda, enquanto a moça do violino vestia saia azul marinho, que lhe chegava até os joelhos, blusa branca e um casaquinho xadrez.  Um uniforme.  Exigência, talvez, da escola de música onde  estudava.  Ela descia do ônibus no meio do caminho e eu seguia até o ponto final.
Desde a fila do ônibus, até nos acomodarmos dentro do coletivo, eu não tirava os olhos dela.  Ela segurava a caixa do violino com muito cuidado, nunca deixando que  esbarrasse em algum passageiro ou batesse nas barras de ferro.  Apertava a caixa contra o peito, como se carregasse um Stradivarius.  Talvez até fosse. 
Eu fantasiava que conversava com ela e ela me contava detalhes das suas aulas de música.  O professor era muito magro, usava sempre o mesmo terno cinza surrado, camisa branca mal passada, um lenço vermelho ao redor do pescoço e tinha cabelos grisalhos,  encarapinhados ao redor da cabeça, como se fosse uma enorme peruca. Ele gesticulava com exagero, gemia: “ Não! Não! Não! quando ela tocava uma nota fora do tom.  Batia a batuta e assoprava o diapasão e, numa voz esganiçada, dizia: “Atenção!  Atenção!”  Ela tocava Prelúdio e Allegro de Kreisler.  Eu chegava a ouvir o solo do violino.

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

ESPIANDO POR DENTRO

Esta coluna reúne análises literárias escritas por Menalton Braff e publicadas originalmente em seu site.

Morte e Vida Severina (1960?)
Autor: João Cabral de Melo Neto

A Obra

Morte e Vida Severina (auto de natal pernambucano) 

- Poema dramático, escrito em versos redondilhos, herança popular-medieval.

É o reteiro de Severino, que demanda o litoral em busca da vida, mas topa em cada parada com a morte, presença anônima e coletiva - no último pouso, enquanto discute com o Mestre Carpina o valor de continuar vivo ou não, recebem a nova do nascimento de um menino: signo de que
algo resiste à constante negação da existência.

- Primeiros versos: identificação com ampliação - Severinos.

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

CANTIGAS DE AMIGOS

 VIAJANTE
(Claudio Willer )
1                       

da janela do quarto de hotel (Belo Horizonte, acho, e às seis da tarde, é sábado)
o mundo é uma página que se abre
e o vento vem de longe
preparo-me para falar sobre Blake, Baudelaire, Rimbaud
recebo notícias de tigres e unicórnios
- o que restará de tudo isso?
sabores novos
e todas as coisas que acontecem em quartos de hotel
(vontade de grafitar as paredes)


terça-feira, 23 de agosto de 2016

ELY VIEITEZ FAZ NOVA RESENHA SOBRE O PESO DA GRAVATA


Resenha publicada no Caderno C, do jornal 'A Cidade', edição de domingo, dia 21 de agosto.

OS CONTOS DE MENALTON

(*) Ely Vieitez Lisboa

Recebi em junho, da Primavera Editorial, o livro mais recente de Menalton Braff, O Peso da Gravata. Sem conseguir segurar minha curiosidade, após ler o primeiro conto, que é ótimo, escrevi um comentário. Só agora, após finalizar a coletânea, volto a falar sobre a obra.
Não é necessário repetir sobre a fertilidade da produção literária do autor, o grande estilista que é Menalton, a riqueza de sua linguagem, mas é necessário realçar a diversidade dos temas dos contos e a impressionante variedade de procedimentos literários que emprega, como autor maduro e consagrado de contos e romances.
No primeiro conto, que tem o mesmo título da obra, no final ele usa o Realismo Fantástico, técnica atraente que o autor repetirá em O Violinista e também em O Imperador de Papel, este último mais enriquecido ainda com outra hipótese na trama, de um possível complexo caso de transmigração de almas.
O conto Quatro Anos Depois é também surrealista: o suicida que visita seu túmulo e narra sua desdita. Morreu de amor. Ou por não saber se era amado; até o final resta a dúvida. Castigo eterno.
Em Janela do Velho Sobrado, o mistério permanece até o final, quando Elyseu parte, levado pela estranha figura, com dois buracos negros no rosto; a face macabra tudo diz. É a descrição perfeita das sensações preambulares da morte.