sexta-feira, 28 de julho de 2017

CONTOS CORRENTES

A imagem pode conter: 1 pessoaCafé comercial*
(Virginia Finzetto)


   — ... ensaladilla rusa, cerveza...
   — ...vale, gracias...
Enquanto sorvi o primeiro gole de caña, reparei naqueles caixotes cheios de livros margeando a parte baixa das paredes revestidas de espelhos até o teto. Que brega... cursi, como se diz aqui. Estranhei também a pouca frequência naquele horário.

   O que havia me incomodado não fora exatamente os livros, complemento melhor não podia ter, mas a feiura de sua disposição naquele espaço tão charmoso feria minha lembrança do Café Comercial, que sempre exalara a alegria boêmia dos encontros regados a unas copas, risos, não a paz das bibliotecas. Um ícone cultural que visitei pela primeira vez há um século após sua inauguração em 1887. Os habitués de então não estavam ali exatamente para ler, mas para compartilhar leituras já feitas, saraus, um local de troca de impressões, experiências, vivências, celebrações, brindes à vida...; e a isso eu me dediquei por um bom tempo.
   A nostalgia voltara como faca a me rasgar ao meio. Um quê de sadismo a potencializar ao máximo a dor do efêmero, parte que em mim se recusa a morrer. Fiz questão de saborear o mesmo prato típico, quem sabe para instigar o paladar a materializar com precisão as lembranças que me fizeram cativa por quase trinta anos.

   Através das imensas e antigas janelas de vidro, meus pensamentos viajaram em reminiscências, resgatando o movimento das calles, ao redor da Glorieta de Bilbao, nas frias madrugadas de inverno,

quinta-feira, 27 de julho de 2017

VALE A PENA VER DE NOVO

Não é a primeira nem a segunda vez que postamos este vídeo aqui no Blog do Menalton, mas temos certeza de que ele continua a ser bem-vindo - seja pelos que ainda não assistiram, seja pelos que gostariam de "ver de novo".


              


quarta-feira, 26 de julho de 2017

CANTIGAS DE AMIGOS

Início de viagem
Nei Duclós

Ser muito pouco no turbilhão do mundo
Fagulha sem repercussão externa
Cultivo pobre em reduto e esquema
Vida impessoal que exaure o sonho

Quantos são assim, isolamento em massa
Sem sintonia da presença ou fala
Passar lotado no funil da época
Conformar-se, de rosto crispado

Isso decepciona o anjo da guarda
O que aposta tudo em seu protegido
Queria dar-lhe asas mas é proibido
Não que ele precise da transgressão das almas
Fica distraído sem lhe faltar o básico

Por isso há tanto anjo jogado às traças
Que precisa do apoio de quem o abandona

terça-feira, 25 de julho de 2017

O LIVRO DA VEZ

Encerramos hoje os comentários ao romance "Quarenta Dias", de Maria Valéria Rezende e abrimos enquete para escolher o próximo título a ser lido e comentado no grupo RODA DE LEITURA

Os que tiverem interesse em participar, podem pedir adição no grupo.

RODA DE LEITURA  é um espaço dedicado à discussão de livros. Começamos com 'O Rei Lear', de Shakespeare, e vamos escolhendo os títulos seguintes coletivamente.

domingo, 23 de julho de 2017

RODA DE LEITURA

Estamos quase concluindo o período de comentários ao livro "Quarenta dias", de Maria Valéria Rezende, no grupo RODA DE LEITURA, que Menalton mantém no Facebook. Os que quiserem participar podem pedir adesão ao grupo.

O comentário a seguir é de Vera Lúcia Pereira dos Santos.

Quarenta dias

O romance "Quarenta Dias", de Maria Valéria Rezende, acompanha a paraibana Alice, professora na faixa dos 50 anos, que, após muita insistência, se vê praticamente obrigada a trocar João Pessoa por Porto Alegre para ajudar a filha – professora universitária casada com um gaúcho – nos planos de uma futura gravidez. É do estranhamento de Alice com Porto Alegre, uma cidade de costumes e gentes diversos, nos quais outros nordestinos como a protagonista parecem sempre relegados à periferia e a funções subalternas, que Maria Valéria tece sua história. No inicio, estranhei a passividade da personagem. Não tem coragem de externar sua opinião quando a filha, professora universitária casada com um gaúcho, propõe sua mudança para Porto Alegre para servir de babá do futuro neto. Afinal Alice é uma professora com vivência suficiente para não aceitar decisões que a violentam. Realiza seu percurso movida por inconsistentes sugestões de pessoas com que se relaciona ocasionalmente.

Numa busca sem fim, fugindo de si própria, revive sua trajetória por meio de uma interlocução com a estampa de Barbie num caderno que serve de diário.

Ao chegar a Porto Alegre, surta. São quarenta dias na rua. Uma aventura pelas ruas de Porto Alegre a pretexto de encontrar Cícero Araújo, filho desaparecido de uma conterrânea. O nome da personagem,

sábado, 22 de julho de 2017

CRÔNICA

O libertário

A família, a escola, a igreja, os meios mais gerais de comunicação são os instrumentos visíveis da transmissão, conservação e reforço de nossas crenças e valores.

As crenças e valores mais gerais são formados anonimamente pela sociedade. Como no folclore, ninguém sabe quem disse algo pela primeira vez. Alguém disse, é certo, porque nada nasce do nada, o que é o mesmo que não nascer. Alguém disse e os outros começaram a repetir. Pronto, eis, por exemplo, o Saci-Pererê. Folk é povo em inglês, como em alemão (Volk – pronuncia-se efe para v em alemão e wagen – pronuncia-se v para w em alemão).

Bem, mas o assunto não é etimologia e temos de prosseguir.

A transmissão, a conservação e o reforço de crenças e valores, de que não se conhece a origem, contudo, podem ser localizados. A família, a escola, a igreja, os meios mais gerais de comunicação são os instrumentos visíveis da transmissão, conservação e reforço de nossas crenças e valores. Mas grandes homens da história, muitos deles, também foram e são estrelas-guia, cujo pensamento e/ou comportamento modelam nossa visão de mundo.

Na Grande Música, entre 1770 e 1827, existiu uma dessas personalidades que deixaram sua marca luminosa em nosso pensamento. Trata-se de Ludwig van Beethoven, a alemão de origem holandesa,