sábado, 14 de setembro de 2019

ENTREVISTAS QUE VOCÊ NÃO ASSISTIU

Esta coluna reúne entrevistas concedidas por Menalton Braff ao longo de sua carreira. 
Nos vídeos desta postagem, Menalton conversa com o ex-jogador Sócrates 
no programa "Papo com doutor". 




sexta-feira, 13 de setembro de 2019

UM CONTO PARA SEU FIM DE SEMANA

Esta coluna reúne contos de Menalton Braff. O que escolhemos para hoje está publicado no livro Amor passageiro, lançado pela Editora Reformatório e já foi reproduzido pela revista Vício Velho.

Um caso de paixão


As perguntas assim como o doutor faz são irrelevantes, porque seguem um padrão. Com minhas respostas, o senhor não vai ficar sabendo muito de mim e de minhas razões para o crime que cometi. Melhor ligar um gravador para eu prestar meu depoimento, livre, corrido, de acordo com meu pensamento. Ah, já está ligado? Sei muito bem o que significa amor incestuoso, como sei também que a sociedade o recrimina, a lei o criminaliza e as religiões, todas elas, repudiam-no por ser pecado, apesar de que os filhos de Adão e Eva tiveram de fornicar para o crescimento da humanidade, não é mesmo, doutor? Pois de tudo isso eu sei, mas quem manda em mim é meu corpo, e o que me vem de fora não me abate: minha regência sou eu mesma. Algum problema com o gravador, doutor? Ah, não! Mas o senhor mexeu nele. Só o volume, então?! Bem, se o doutor não se importa, eu gostaria que fechasse aquela cortina ali atrás, porque o sol bate no vidro do armário e o reflexo me atrapalha a visão. Sim, muito obrigada. Então, tive o Ernesto com quinze anos de idade, e meu noivo, na época, devia andar futricando a vida de alguma outra adolescente neste largo mundo que ninguém podia imaginar onde fosse. Não, foi logo que eu falei da minha gravidez. Já no dia seguinte não apareceu. Aliás, nunca mais apareceu. Na saída ele disse: − Vou ali até a esquina comprar cigarro. Eu nem fiquei esperando, pois imaginei que a minha revelação tivesse assustado o infeliz. Logo que me senti capaz, arranjei emprego e fui trabalhar. Eu digitava como gente grande e isso me ajudou a vida toda. De manhã, deixava o Ernesto na creche e à tarde, depois do expediente, ia buscar ele. Assim foi durante alguns anos. Quando chegou a época da escola, uma vizinha ficava com ele à tarde porque tinha um filho da mesma idade e quem cuida de um, cuida de dois, o senhor não concorda? Pois então. Ele crescia bem e ficava cada vez mais bonito. Eu também, com trinta e três anos de idade, todo mundo dizia que parecia ter uns vinte. Malhava na academia três vezes por semana, tinha muita

quinta-feira, 12 de setembro de 2019

MENALTON NAS MÍDIAS DIGITAIS

De vez em quando é bom lembrar. Além deste blog, o escritor Menalton Braff mantém um site e está presente em várias redes sociais. Se você ainda não conhece esses canais e tem interesse em segui-los, anote os endereços abaixo:

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quarta-feira, 11 de setembro de 2019

CANTIGAS DE AMIGOS

MANUFATURA DE URGÊNCIAS

(Nic Cardeal)

Depois que se amassa o pão
deve-se deixá-lo descansar
na lenta hospedaria das horas
- não se estanca o tempo quando ainda cresce esperança -

Há um mundo onde crianças morrem de fome,
gargantas procuram água no vazio da garrafa.

Procuram-se planetas habitáveis nos vãos das galáxias,
nos vãos das nossas ausências
um jardim do éden de outro jeito:
morcegos imóveis descansando do voo em cavernas escuras,
pólens aguardando o ofício das abelhas ao meio-dia,
águas rasas, águas fundas, águas azuis, humanos transparentes.

Na pedra desbastada
a gota necessária tanto fura que rasga até a alma.

Depois do pão repartido
borboletas voltarão:
no casulo que um dia foi casa
o futuro costura asas.


terça-feira, 10 de setembro de 2019

INSTINTO DE NACIONALIDADE

Há cerca de três meses, inciamos aqui a publicação da obra "O Instinto de Nacionalidade – Notícia da atual literatura brasileira", de Machado de Assis.

A decisão foi tomada porque  Menalton considera esse texto fundamental para a formação de todo escritor.

Com o fim de facilitar a leitura, dividimos o texto em pequenos fragmentos que postamos às terças-feiras. 

Hoje chegamos ao décimo terceiro fragmento.  Quem perdeu os doze primeiros pode recuperá-los a seguir:


FRAGMENTO 13

Em resumo, o romance, forma extremamente apreciada e já cultivada com alguma extensão, é um dos títulos da presente geração literária. Nem todos os livros, repito, deixam de se prestar a uma crítica minuciosa e severa, e se a houvéssemos em condições regulares, creio que os defeitos se corrigiriam, e as boas qualidades adquiririam maior realce. Há geralmente viva imaginação, instinto do belo, ingênua admiração da natureza, amor às coisas pátrias, e além de tudo isto agudeza e observação. Boa e fecunda terra, já deu frutos excelentes e os há de dar em muito maior escala. A Poesia A ação da crítica seria sobretudo eficaz em relação à poesia. Dos poetas que apareceram no decênio de 1850 a 1860, uns levou-os a morte ainda na flor dos anos, como Álvares de Azevedo, Junqueira Freire, Casimiro de Abreu, cujos nomes excitam na nossa mocidade legítimo e sincero entusiasmo, e bem assim outros de não menor porte. P13

segunda-feira, 9 de setembro de 2019

CARTAS DO INTERIOR

Esta coluna reúne crônicas de Menalton Braff.


A voz das estatísticas


Segundo as estatísticas, pertenço a pequeno grupo de pessoas, um grupo formado por 1% dos brasileiros possuidores de biblioteca de mais de 500 volumes. Deveria estar soltando foguetes ao me descobrir incrustado nesta nata, mas não estou. Levando em conta meu espírito público, talvez devesse então estar acabrunhado ao descobrir que se lê tão pouco no Brasil, mas também não estou. Um amigo meu, que já não está neste ou em qualquer outro mundo, para formar-se economista teve de estudar muitas ciências, entre as quais a ciência da estatística. Enquadrou populações, quadriculou produtos, transformou isso tudo em mercado e pôs-se a campo com a intenção de salvar o Brasil. E vocês sabem o que aconteceu? Nem ele salvou o Brasil nem por ele foi salvo. Continuamos todos a
navegar em mar bravio enquanto ele abandonou o barco heroicamente. Mas antes de se despedir, meu amigo, que era teimoso, mas bronco não, deixou-me como herança uma verdade elementar: A estatística serve para provar que, se eu puser a cabeça dentro de um forno a cem graus centígrados e os pés dentro de um frízer a zero grau, minha temperatura média será de cinqüenta graus.

Um vizinho aqui ao lado me diz que a verdade não é elementar, mas estúpida. Este meu vizinho não tem mesmo senso de humor. Claro que não estou questionando a sério se a estatística é ou não uma