domingo, 22 de janeiro de 2017

VALE A PENA VER DE NOVO

O conto "O relógio de pêndulo", do premiado "À sombra do cipreste" (Jabuti 2.000), foi adaptado para televisão pelo programa Contos da Meia Noite, da TV Cultura, com narrativa .  

Isso já faz tempo e o vídeo foi postado algumas vezes aqui no blog, mas sempre resta alguém que ainda não assistiu. E há, também, aqueles que gostariam de 'ver de novo'.


sábado, 21 de janeiro de 2017

CARTA CAPITAL| QUALQUER HORA

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Qualquer hora

É possível viver em sociedade apenas falando as verdades?

Faz parte de nossos hábitos sociais sentir prazer com encontros fortuitos, prazer sincero mas passageiro. Não via o Agenor desde os tempos do ginásio, quando fomos companheiros até em algumas artes, e o encontrei na calçada, de terno e gravata, pasta zero-zero-sete na mão, rosto suado, chegando do fórum, onde fora liberar alguns documentos de seu cliente.

Mais gordo, ah, sim, bem mais gordo, e mais alto. Cresceu mais do que eu, o Agenor. Foi um prazer tê-lo encontrado, enfim, estudamos juntos, na mesma classe, falamos mal dos mesmos professores. Mas nada mais existe de comum entre nós, se é que algum dia existiu. Notícias vagas, casuais, dada por amigos comuns, davam conta de que se tornara advogado. Se não me engano alguém informou que estava casado. Ao nos despedirmos, ele sugere, depois de me dar um cartão: "Apareça lá em casa."

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

CONTOS CORRENTES

Fogo Selvagem
(*) (Ely Vieitez Lisboa)

                                                                 Todas as fêmeas foram aprisionadas, separadamente, na grande choupana. Eram virgens, belas, sadias e seriam entregues em sacrifício, uma a uma, nos próximos treze dias. Só assim a tribo teria colheita farta, estaria livre das tempestades e raios e não faltaria a carne tenra dos animais, para a caça. Assim era o costume.
          LUNA olha as companheiras adormecidas e se revolta; não quer morrer, não acredita na Lei. À noite, tentará fugir.
          Quando a Lua está alta no céu, ela força, com as mãos, uma brecha na palha da cabana e seu corpo esguio passa pela fenda. Os pés sentem a terra dura, ela se afasta lentamente, entre os arbustos. Quando está mais longe,

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

RODA DE LEITURA

A partir do próximo domingo, dia 22, o grupo RODA DE LEITURA, do Facebook, aceitará novos integrantes. Nesse dia começa o processo de escolha do próximo livro. 

A entrada no grupo só é permitida a cada início de ciclo, que inclui sugestão e votação de título, leitura e comentário.

A última obra escolhida foi Mulheres de Cinzas, de Mia Couto. 

Se você deseja participar, esta é a hora! Acesse RODA DE LEITURA a partir de domingo e peça sua inclusão.





quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

CANTIGAS DE AMIGOS

PEQUENOS ASSASSINATOS
(Affonso Romano de Sant'Anna)                                                                                                         
 
Vegetariano
não dispenso chorar
sobre os legumes esquartejados
no meu prato.

Tomates sangram em mim boca,
alfaces desmaiam ao molho de limão-mostarda-azeite,
cebolas soluçam sobre a pia                                                 e ouço o grito das batatas fritas.

Como.
Como um selvagem, como.
Como tapando o ouvido, fechando os olhos,
distraindo na paisagem o paladar,
com a displicente volúpia
de quem mata para viver.

Na sobremesa
continua o verde desespero:
peras degoladas,
Figos desventrados
e eu chupando o cérebro
amarelo das mangas.

Isto cá fora. Pois lá dentro
sob a pele, uma intestina disputa
me alimenta: ouço o lamento
de milhões de bactérias
que o lança-chamas dos antibióticos
exaspera.

Por onde vou
- é luto e luta.




terça-feira, 17 de janeiro de 2017

CRÔNICA

Esta coluna reúne textos de Menalton Braff, publicados originalmente em seu site.


Um dia, um autógrafo

Eu não sabia o que era ser um adolescente naquele tempo. E era um. Também não sabia que o Brasil era o país do carnaval, nem onde ficava a Bahia, da qual sabia apenas o nome da capital, Salvador, e seu adjetivo gentílico, soteropolitano. Coisa que a escola nos obrigava a decorar e que o tempo vai preenchendo com significados. No já extinto Colégio Ruy Barbosa, de Porto Alegre, vivíamos de sonhos, cerveja e literatura. Foi o tempo em que me tornei frequentador assíduo da Livraria Globo, na rua da Praia. Sentava num dos corredores que havia entre as altas orelhas de livros e lia orelhas e contracapas com zelo e método de um beneditino. Um dia, uma daquelas estantes me jogou na mão uma capa estranha, de Clóvis Graciano, e me fez ler uma orelha mais estranha ainda, falando deum Brasil diferente do meu (paradisíaco,
 naquela idade), enfim, dizendo umas coisas que a princípio me assustaram. Não consegui sair da livraria, naquela distante manhã, sem levar comigo O país do carnaval, da Editora Martins.


Depois do primeiro, tive de ler todos. Com a voracidade de quem acaba de descobrir as cores do mundo. Eu estava tomado, confuso, assustado, perplexo. Mas então é assim, a gente pode escrever estas coisas todas, sobre gente com

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

HISTÓRIAS DE CANÇÕES

Imagine shows com músicas de Tom Jobim, Chico Buarque e Vinicius de Moraes e que incluam,
entre uma e outra, narrações de fatos, histórias de bastidores e curiosidades sobre a vida e a obra desses compositores. Assim serão os três espetáculos da série “Histórias de Canções”, que estarão em cartaz entre os dias 25 de janeiro e 8 de fevereiro, no teatro Viradalata, em São Paulo.

A temporada líteromusical tem o mesmo nome da coleção de livros que a inspirou e é o próprio autor dessas publicações, Wagner Homem, quem fará a narração das memórias dos três parceiros. A direção musical será do pianista Mário Carvalho.

Os shows terão, ainda, projeções de vídeos, fotos e áudios inéditos sobre momentos embrionários da criação de algumas músicas e outras histórias.

O primeiro espetáculo, dia 25 de janeiro, homenageará duplamente o maestro Tom Jobim, pois este ano o “Antônio Brasileiro” faria 90 anos.

Quem quiser sentir, desde já, o gostinho dessa temporada, pode assistir à entrevista que Wagner Homem concedeu ao jornalista Ederson Granetto, sobre os livros que deram origem aos espetáculos.

DATAS:

TOM JOBIM 90 ANOS: 25 de janeiro, quarta-feira, às 20h. Abertura do teatro: 19h30.
CHICO BUARQUE: 01 de fevereiro, quarta-feira, às 21h. Abertura do teatro: 20h30.
VINICIUS DE MORAES: 08 de fevereiro, quarta-feira, às 21h. Abertura do teatro: 20h30.