domingo, 25 de setembro de 2016

FIQUEM DE OLHO!

Está vindo por aí a versão digital do livro "Que enchente me carrega?", editado originalmente em ,
pela Palavra Mágica.
Fiquem ligados aqui no blog e em nossos perfis e páginas nas redes sociais.

E para matarem a curiosidade enquanto não sai o e-book, leiam a orelha da versão impressa, escrita por Ignácio de Loyola Brandão.

"Menalton Braff é uma bênção. Admiro este homem raro porque ele é uma estrela maior da literatura. Um escritor que escreve bem. Um homem que mudou o eixo de sua vida, se internou no interior e ali produz sua obra. Devo dizer, cria. Existir um escritor cuja preocupação é o texto, são as histórias, os personagens, o estilo, redime o conceito de literatura. Conquistar a crítica como Menalton conquistou. Ser falado e comentado.

Ganhar logo um prêmio como o Jabuti, quando tem gente que escreve a vida inteira e nunca recebe; outros levam décadas para ganhar. Continuar imune às tentações, enfiado em sua casca, não contaminado pelas vaidades mundanas. Gente, se eu não tivese lido primeiro À sombra do cipreste, e agora Que enchente me carrega? duvidaria que Menalton existisse. Existe. E como escreve!"

Ignácio de Loyola Brandão 

sábado, 24 de setembro de 2016

ESPIANDO POR DENTRO

Esta coluna reúne análises literárias escritas por Menalton Braff e publicadas originalmente em seu
site.

Título: Madame Pommery
Autor: Hilário Tácito

A Obra 

Madame Pommery, conforme declara expressamente seu narrador, é apenas uma crônica, não um romance - truque quase que convencional para que se atinja a veracidade e se "convença" o leitor. Efabulação: Filha de um domador de feras, um judeu polonês, e de uma noviça espanhola, Ida Pomerikowsky, a futura Madame Pommery, nasceu em Córdoba ou Cracóvia. Pequena ainda, sua mãe a abandona para fugir com um toureiro espanhol. Aos quinze anos já dançava ao pandeiro e lidava com as feras de um circo. Educada no ambiente circense, não foi difícil para um velhote ricaço de Praga estuprá-la. O pai de Ida exige do estuprador nove mil coroas, que afinal de contas vão parar, por mil tramóias, nas mãos da própria Ida. Ela foge e vai correr o mundo, como prostituta.

Depois de suas experiências por vários países, quase que por acaso (contratou uma viagem com um capitão de navio) chega ao Brasil.

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

CONTOS CORRENTES

FRUTAS SECAS 
(Márcia Denser*)

I
Começou com o prédio. Você entrou no significado dele, o começo do fim da minha neurose, 
meu fiat vermelho, as noites com os amigos e o chope no bar da Alameda Santos, e você
penetrou num dos intervalos desse casulo já repleto, tão repleto como nunca o conheceu
a minha vida, as sessões de análise às segundas e quintas, aquele analista com cara de
morcego, lembrando vagamente minha prima Magali, um certo ar familiar que,
circunspectamente, ele acharia suspeito, enfim, foi em julho e começou com o prédio.

Agora estamos no Natal, termino mais este ano e ainda não sei como liquidá-lo. Um ramal

 me chama: do outro lado a tua voz metálica ficou esquecida naquele indistinto ramal de
 uma estrada de ferro abandonada, que é minha memória, onde pulsa meu coração (e o
 meu coração anda pulsando no lugar errado), mas o fato é que, até agora, nada ocorreu
de importante, salvo você, tão incorporado ao prédio de aço lavado nítrico solar colméico,
ocê que sempre foi tão chá & simpatia às quatro da tarde na minha repartição, você,
só você compreendeu o profundo significado do prédio, a minha neurose que, desde julho,
pretendi pendurar nos teus pêlos pubianos, deslizar a ponta dos dedos por tuas mornas
saliências em horas mortas de tédio, preguiça e livros de registro de entrada e saída,
carimbos inapeláveis, o teu apelo soava metálico como o vento solto no vão entre os
vidros e a imensa colméia de aço, vertical corredor ululante de vinte andares, como a
música que os pingos da chuva produzem em cada minúsculo polígono que constitui a
colméia, uma infinita e concêntrica orquestra de cordas de aço, uma melodia singela
tocada em fases, plic, plic, plic, andar por andar, até se debruçar e fazer do meu coração
um cartão perfurado, como os enfeites de Natal que rebrilham em meus olhos, era o
prédio uma inconcebível árvore desde julho ou agosto e que, agora, pretendo inaugurar,
juntamente com o fim da minha neurose, e com o homem que possuía o espírito e
o significado do prédio, com o homem que deveria manter acesos os olhos do prédio.

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

NOITE DE AUTÓGRAFOS NA BLOOKS: MEMÓRIA FOTOGRÁFICA

Na última terça-feira, "O peso da gravata" foi lançado na Blooks Livraria, no Rio de Janeiro.
Algumas fotos foram postadas de imediato nas redes sociais. Agora mostramos aqui a cobertura fotográfica completa.




                                                                                             

































quarta-feira, 21 de setembro de 2016

CANTIGAS DE AMIGOS

PODES        
(Vasco Pereira de Oliveira*)


              apagar as luzes,
               já lambi o sol nos olhos das crianças
              
               esconder os segredos das árvores,
               já entendi a linguagem das folhas no verde do vento

               fechar todas as janelas,
               tenho a cópia de todas as paisagens

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

CARTA CAPITAL| QUESTÃO DE COMPETÊNCIA

Questão de competência

No bar, é sempre bom falar a verdade

Com o calor que faz na região, costuma-se justificar os bares lotados todas as noites da semana. O consumo de chope e cerveja é paliativo para o desconforto do calor. E fala-se com justo orgulho em campeã nacional do consumo per capita de tais paliativos por aqui. Acho que está muito certo. Estranho seria que as sorveterias fizessem fortuna lá no Polo Norte. Você não concorda?

Outro dia fui visitar meu afilhado e cumprir minhas obrigações de padrinho. Ele estava festejando seu aniversário. Dei-lhe a bênção, beijei-lhe a testa e botei sobre a mesa um brinquedo de montar e desmontar. Como não fosse eletrônico, meu presente, em pouco tempo ficou esquecido num canto.