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segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

CARTAS DO INTERIOR


Esta coluna reúne crônicas de Menalton Braff.

Tílburi



Tem dias que me recolho em mim, então não tem jeito: fico estatuado num canto, revendo passagens do passado, do meu passado.

Do meu passado, o que mais frequente me chega, são minhas leituras. De temperamento ameno, às vezes arredio (quando minhas opiniões eram menosprezadas), mesmo assim nunca fui de entrar na roda de muitos amigos. Claro que já descobri a causa disso – quando estava começando a solidificar alguma amizade, lá vinha a notícia: mês que vem vamos de mudança para outra cidade – transferências do meu pai.

Talvez esta voracidade de leitor, acredito nisso, seja uma compensação para a falta de amigos. Em lugar de amigos, eu tinha personagens. Visconde de Sabugosa, Pedrinho, Narizinho, Tarzã (ele também), um pouco mais tarde: Bentinho, Quincas Borba e Sofia, aquele Aires, tão elegante nos modos e no pensamento, e os dois irmãos gêmeos, a água e o vinho, ambos apaixonados pela Flora, era com pessoas assim, perdão, personagens, que passava as horas do dia e às vezes da noite também.
Foi nesta época, dos dez aos quatorze, mais ou menos, que me habituei com a ideia dos deslocamentos, sobretudo no Rio de Janeiro, quando a pessoa (quer dizer, personagem) não tivesse veículo próprio, alugava um tílburi por uma viagem.

Quando ingressei no Clássico, no Colégio Ruy Barbosa, de Porto Alegre (a escola não existe mais, hoje passa uma avenida por cima de seus alicerces enterrados) então quando iniciei o colegial, um professor de Português cujo nome já esqueci, mas me lembro de que ele fumava na sala de aula,

domingo, 22 de abril de 2012

FRAGMENTO DE MOÇA COM CHAPÉU DE PALHA (2)


"Fechava um pouco os olhos, ameaçava dormir, mas a inveja me despertava. Como era possível que aquele pai estivesse ali a exibir a posse de um passado que jamais poderia pertencer-me? Seria, quem sabe, um teste a respeito do meu caráter? "


domingo, 26 de fevereiro de 2012

NOITE (24)

O PRESENTE É FRUTO DO PASSADO

Pág. 123 - "O suor escorre-lhe pelas faces. Tem a impressão de que todas essas coisas odiosas aconteceram não há meses, mas na noite que passou."
(...)
"Os desastres daquela primeira noite foram a causa de todos os desencontros e frustrações dos dias e noites que se seguiram."

sábado, 25 de fevereiro de 2012

NOITE (23)

NINGUÉM SE DESFAZ DO PASSADO

As recordações continuam interferindo no presente.

Pág. 118 - "Raros autos e ônibus rolam sobre o asfalto da grande avenida. (...) Mais duas quadras e chegará à casa... Pulsa-lhe o coração com descompassada força."
"Para. É melhor esperar, pôr ordem nas ideias, acalmar-se."