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sexta-feira, 20 de outubro de 2017

CONTOS CORRENTES

ILHA
(Lelia Maria Romero)

Pobreza e riqueza se misturam na paisagem. O cotidiano e os desejos ilhados, um dia querem mais, tornam-se continentes e a Ilha pode oscilar. Como o destino.

O mar inunda janelas, casarões antigos, mercearias e lojinhas da vila. Fora a passarela montada para seduzir, inspirar planos de férias e fins de semana românticos, a vila da Ilha é esquecida. Ruas sem esgoto afundam-se nas montanhas e camuflam o mau cheiro da miséria dos homens, diluído na floresta subtropical, domínios da neblina e das borboletas azuis.

Mila nasceu na Ilha, num desses esconderijos. Mestiça, de mãe mulata e pai caiçara, moça de olhos puxados e contornos harmônicos, cresceu descalça, nariz sujo e sorriso branco, tudo na medida do encanto. Ondas do mar, castelos de areia, passeios de canoa foram seu brincar, e além do aconchego
dos pais, a descoberta de seu sorriso foi marcante: era muito elogiado e só seu. Adolescente, já o

sábado, 21 de abril de 2012

TRECHO DE TAPETE DE SILÊNCIO



"Estico o olhar até onde vejo a rua e é tudo escuro, casas dormindo atrás de janelas, sombras intermitentes de árvores respirando o luar. Apenas uma ilha de luz, que desce relutante de um poste, onde a noite permite uma esquina. Muros, cercas, jardins sem pressa usando a umidade deixada pela chuva. O silêncio parece um calafrio..."

sábado, 14 de abril de 2012

A INVENÇÃO DE MOREL (26)

AGORA MUITAS DÚVIDAS

Pág. 100 - "No salão de jantar, uma noite, outra noite, no hall, as pernas se tocam. Se admito a malícia, por que desprezo a distração, o acaso?
Repito: não há prova definitiva de que Faustine sinta amor por Morel. Talvez a origem das suspeitas esteja no meu egoísmo. Amo Faustine."
(...)
"Resta a hipótese da morte de Morel."
"Outra explicação seria a de que não tivessem acreditado nele, de que Morel estivesse louco ou - minha primeira ideia - de que todos estivessem loucos, que aquela ilha fosse um hospício.

A INVENÇÃO DE MOREL (25)

REFLEXÕES DO FUGITIVO SOBRE A INVENÇÃO DE MOREL

Sozinho na ilha e de poder das máquinas de Morel, o fugitivo tece reflexões sobre a vida (real e virtual).
Pág. 96 - "Um homem solitário não pode fazer máquinas nem fixar visões, a não ser sob a forma truncada de escrevê-las ou desenhá-las para outros mais afortunados."
"Hoje, não pude descer ao porão; passei a tarde juntando alimentos."

terça-feira, 10 de abril de 2012

A INVENÇÃO DE MOREL (23)

O DISCURSO DE MOREL CONTINUA

(Depois de um período ausente, por motivos particulares, retomamos as postagens sobre A Invenção de Morel).

Pág. 90 - "Acrescentarei, a seguir, as páginas (das folhas amarelas) que Morel não seu:
'Ante a impossibilidade de executar o meu plano original - levá-la para casa e tomar uma cena de felicidade minha ou recíproca - concebi outro plano que é, sem dúvida, melhor.'"

domingo, 11 de março de 2012

A INVENÇÃO DE MOREL (5)

O ESPAÇO

Pág. 18 - "A vegetação da ilha é abundante. Plantas, capinzais, flores de primavera, de verão, de outono, de inverno vão se sucedendo com avidez, com mais avidez em nascer do que em morrer, invadindo o tempo  e a terra uns dos outros, acumulando-se incontidamente. Em compensação, as árvores estão doentes: têm as copas secas, os troncos cheios de brotos."

Pág 19 - "Na parte alta da ilha, que tem quatro barrancos cobertos de capim (nos barrancos de oeste há pedras), estão o museu, a capela e a piscina."

sábado, 10 de março de 2012

A INVENÇÃO DE MOREL (4)

PESSOAS ESTRANHAS NA ILHA

Pág. 15 - "Desde os pântanos de águas misturadas, vejo a parte alta do morro, os veranistas que habitam o museu."
"Estão vestidas com roupas iguais às que se usavam faz poucos anos: graça que revela (segundo me parece) uma consumada frivolidade..."