(Lelia Maria Romero)Pobreza e riqueza se misturam na paisagem. O cotidiano e os desejos ilhados, um dia querem mais, tornam-se continentes e a Ilha pode oscilar. Como o destino.
O mar inunda janelas, casarões antigos, mercearias e lojinhas da vila. Fora a passarela montada para seduzir, inspirar planos de férias e fins de semana românticos, a vila da Ilha é esquecida. Ruas sem esgoto afundam-se nas montanhas e camuflam o mau cheiro da miséria dos homens, diluído na floresta subtropical, domínios da neblina e das borboletas azuis.
Mila nasceu na Ilha, num desses esconderijos. Mestiça, de mãe mulata e pai caiçara, moça de olhos puxados e contornos harmônicos, cresceu descalça, nariz sujo e sorriso branco, tudo na medida do encanto. Ondas do mar, castelos de areia, passeios de canoa foram seu brincar, e além do aconchego
dos pais, a descoberta de seu sorriso foi marcante: era muito elogiado e só seu. Adolescente, já o




