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terça-feira, 27 de junho de 2017

CRÔNICA

Informação ou encantamento*

Nunca entendi a razão por que se juntam pessoas de grupos os mais heterogêneos para ouvir falar de assuntos com alguma especificidade, ou seja, de conhecimento não corriqueiro. Naquela noite fui incumbido de discorrer sobre linguagem literária, assunto que se leva alguns anos estudando para se ter pálida ideia, mas que muitos promotores de eventos culturais supõem passível de ser destrinchado em uma hora, uma hora e meia. E pra qualquer plateia.

Isso tem ocorrido na minha vida e com bastante frequência. Como o público sai depois de uma palestra dessas eu não sei, quanto a mim, saio suando, com vontade de morrer, mas sem coragem para o ato final.

Uma dessas ocasiões me deixou marcado. Bastante gente na plateia, para glória e honra dos promotores e angústia do palestrante, que, com cara de pateta, olhava de um lado para o outro tentando descobrir qual o padrão de linguagem a ser empregado. Apresentações e agradecimentos, lá estava eu de microfone na mão ainda enrolando com alguma graça para conquistar o público, até que não deu mais para segurar e o assunto foi enfrentado. A certa altura, ocorreu a lembrança de que alguns exemplos sempre ajudam, pois dão concretude a conceitos por vezes não familiares. Por isso, chamei a atenção da plateia para o que faria: dois enunciados diferentes. Então parodiei um poema:

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

QUESTÕES DE ESTÉTICA DA LITERATURA (84)

Eugenio Coseriu
Vítor Manuel de Aguiar e Silva. Teoria da Literatura. 6ª ed. Livraria Almedina: Coimbra, 1984.

Com esta postagem, encerramos a argumentação contra o desviacionismo com que se tenta explicar a linguagem literária. O autor segue com um capítulo em que refuta a teoria jakobsoniana da função poética da linguagem, que, para nosso propósito não tem utilidade. Daqui vamos saltar para o capítulo A comunicação literária.
Mas antes, vejamos como ele encerra o Sistema semiótico literário.

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

QUESTÕES DE ESTÉTIC A DA LITERATURA (79)

John Lipski
Pág. 162 - "Como descrever e explicar os desvios verificáveis na língua literária? Três soluções diferentes, com fundamentação e consequências diversas, têm sido propostas. Analisemos cada uma delas.
Em primeiro lugar, a partir da gramática gerativa da língua standard pode-se fazer o levantamento e fornecer a apropriada descrição dos desvios ocorrentes num determinado texto, enumerando e caracterizando as regras que tenham sido violadas. Tal procedimento analítico depende de um método essencialmente taxionomista e descritivista, destituído de capacidade gerativa em relação a frases com específicos desvios literários.

quinta-feira, 12 de julho de 2012

QUESTÕES DE ESTÉTICA DA LITERATURA (17)

O SISTEMA SEMIÓTICO LITERÁRIO

Linguagem literária vs. linguagem não-literária

Págs. 43 e 44 - "Desde há muitos séculos que se tem procurado, com variável consciência teórica dos problemas em análise e com a utilização de heterogénea utensilagem conceptual, fundamentar a distinção entre literatura e não-literatura, entre textos literários e não-literários, através da delimitação e da caracterização de uma linguagem literária contraposta à linguagem não-literária (ou, noutra perspectiva, às linguagens não-literárias).

De acordo com uma teoria pitagórica tardia, existem duas modalidades de expressão: uma, a mais corrente, apresenta-se 'nua' , desprovida de figuras e de quaisquer recursos técnico-estilísticos; a outra, pelo contrário, caracteriza-se
pelo ornato, pelo vocabulário escolhido e pelo sábio uso dos tropos. A primeira corresponde a uma linguagem não-artística, não lietrária; a segunda, em contrapoartida, a uma linguagem artística, literária.

domingo, 17 de junho de 2012

INFORMAÇÃO E ENCANTAMENTO - CARTA CAPITAL


Nunca entendi a razão por que se juntam pessoas de grupos os mais heterogêneos para ouvir falar de assuntos com alguma especificidade, ou seja, de conhecimento não corriqueiro. Naquela noite fui incumbido de discorrer sobre linguagem literária, assunto que se leva alguns anos estudando para se ter pálida ideia, mas que muitos promotores de eventos culturais supõem passível de ser destrinchado em uma hora, uma hora e meia. E pra qualquer plateia.

Isso tem ocorrido na minha vida e com bastante frequência. Como o público sai depois de uma palestra dessas eu não sei, quanto a mim, saio suando, com vontade de morrer, mas sem coragem para o ato final.

sexta-feira, 30 de março de 2012

INFORMAÇÃO E ENCANTAMENTO

Publicado originalmente na revista Bula

Nunca entendi a razão por que se juntam pessoas de grupos os mais heterogêneos para ouvir falar de assuntos com alguma especificidade, ou seja, de conhecimento não corriqueiro. Naquela noite fui incumbido de discorrer sobre linguagem literária, assunto que se leva alguns anos estudando para se ter pálida ideia, mas que muitos promotores de eventos culturais supõem passível de ser destrinchado em uma hora, uma hora e meia. E pra qualquer plateia.

Isso tem ocorrido na minha vida e com bastante frequência. Como o público sai depois de uma palestra dessas eu não sei, quanto a mim, saio suando, com vontade de morrer, mas sem coragem para o ato final.

Uma dessas ocasiões me deixou marcado. Bastante gente na plateia, para glória e honra dos promotores e angústia do palestrante, que, com cara de pateta, olhava de um lado para o outro tentando descobrir qual o padrão de linguagem a ser empregado. Apresentações e agradecimentos, lá estava eu de microfone na mão ainda enrolando com alguma graça para conquistar o público, até que não deu mais para segurar e o assunto foi enfrentado. A certa altura, ocorreu a lembrança de que alguns exemplos sempre ajudam, pois dão concretude a conceitos por vezes não familiares. Por isso, chamei a atenção da plateia para o que faria: dois enunciados diferentes. Então parodiei um poema: