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quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

UM CASO DE PAIXÃO

Há dois dias postamos aqui um desafio aos leitores:

Escolha o conto que você mais gosta no livro "Amor passageiro" e escreva algo sobre ele. Pode ser um comentário, uma resenha ou um texto literário".

Ontem recebemos a primeira manifestação de Ernane Catroli do Carmo. Aguardamos a sua!

UM CASO DE PAIXÃO

Mas também já merecendo perdão. Esta palavra. Aqui, com um desejo que se impõe –  e me exige –
também, o de absolvição. Absolvição à personagem do conto. Aos personagens: melhor. Que o corpo. O corpo nos faz tresvariar da nossa rota. Carregar um corpo. O corpo a nossa danação e, se maravilhado no caldo grosso da paixão; a cegueira. Cegueira enquanto dura a paixão. E não esquecer o desespero. Recorrente o desespero. As vezes corre pelas bordas. Mudo. Que propício aos planos. Maquinações. E que ninguém ouse. Que o corpo, nossa miséria e agonia imiscuídos no indizível prazer. E o desejo. Velho o desejo. Que não acaba. Lembrei agora (cito sem conferir ) da fala de uma personagem num conto de Clarice Lispector em “A Via Crucis do Corpo”. Perfeito a expressão. O mote. Por isso lhe escrevo agora, Menalton, pós leitura deste seu conto ( Um caso de Paixão ) que preencheu todo o meu dia. E permaneceu.

(...) Pois de tudo isso eu sei, mas quem manda em mim é meu corpo (...)
( in: Um caso de Paixão).

quarta-feira, 20 de março de 2019

É HOJE!

Contamos com sua presença a partir das 19h,  na Fundação Cultural de Serrana,  para o lançamento do livro "Amor passageiro"
de Menalton Braff, lançado pela Editora Reformatório.

Confirme aqui a sua presença. E leia, a seguir, o conto 
"Um caso de paixão" 
para já ir sentindo o gostinho do que lhe espera!


Fundação Cultural de Serrana: Rua Barão do Rio Branco, 339 - Serrana -SP



Um caso de paixão



As perguntas assim como o doutor faz são irrelevantes, porque seguem um padrão. Com minhas 
respostas, o senhor não vai ficar sabendo muito de mim e de minhas razões para o crime que cometi. Melhor ligar um gravador para eu prestar meu depoimento, livre, corrido, de acordo com meu pensamento. Ah, já está ligado? Sei muito bem o que significa amor incestuoso, como sei também que a sociedade o recrimina, a lei o criminaliza e as religiões, todas elas, repudiam-no por ser pecado, apesar de que os filhos de Adão e Eva tiveram de fornicar para o crescimento da humanidade, não é mesmo, doutor? Pois de tudo isso eu sei, mas quem manda em mim é meu corpo, e o que me vem de

terça-feira, 5 de fevereiro de 2019

VAMOS DEGUSTAR "AMOR PASSAGEIRO"?

Foto: Editora Reformatório
A dois dias do lançamento de "Amor passageiro" em São Paulo, oferecemos a você uma degustação do livro com o conto "Um caso de paixão". 

O conto já foi postado aqui, mas muita gente ainda não leu e outros talvez queiram bis.

Antes de iniciar a leitura, anote os dados do lançamento.

Data: quinta-feira, dia 7 de fevereiro
Horário: das 19h às 21h30
Local: Livraria Zaccara
Endereço: Rua Cardoso de Almeida, 1.356 - Perdizes - São Paulo -SP

Um caso de paixão


As perguntas assim como o doutor faz são irrelevantes, porque seguem um padrão. Com minhas respostas, o senhor não vai ficar sabendo muito de mim e de minhas razões para o crime que cometi. Melhor ligar um gravador para eu prestar meu depoimento, livre, corrido, de acordo com meu pensamento. Ah, já está ligado? Sei muito bem o que significa amor incestuoso, como sei também que a sociedade o recrimina, a lei o criminaliza e as religiões, todas elas, repudiam-no por ser pecado, apesar de que os filhos de Adão e Eva tiveram de fornicar para o crescimento da humanidade, não é mesmo, doutor? Pois de tudo isso eu sei, mas quem manda em mim é meu corpo, e o que me vem de fora não me abate: minha regência sou eu mesma. Algum problema com o gravador, doutor? Ah, não! Mas o senhor mexeu nele. Só o volume, então?! Bem, se o doutor não se importa, eu gostaria que fechasse aquela cortina ali atrás, porque o sol bate no vidro do armário e o reflexo me atrapalha a visão. Sim, muito obrigada. Então, tive o Ernesto com quinze anos de idade, e meu noivo, na época, devia andar futricando a vida de alguma outra adolescente neste largo mundo que ninguém podia imaginar onde fosse. Não, foi logo que eu falei da minha gravidez. Já no dia seguinte não apareceu.

terça-feira, 18 de dezembro de 2018

'AMOR PASSAGEIRO' GANHA RESENHA NA REVISTA 'A NOVA CRÍTICA'

Acesse a publicação original.
EXPERIÊNCIAS RESSUSCITADAS NO INSTANTE

Passadas duas narrativas que terminam com mortes por afogamento, a leitura de “Canoa emborcada” envolve o leitor com uma tensão que se intensifica frase a frase.
O narrador observa, ao longe, crianças brincando na linha da arrebentação. Ele antevê o risco do mar, mentaliza um plano de resgate, mas não age. A situação se desenha no fluxo de uma série de pensamentos e considerações que se avolumam sinuosamente à maneira de algo ruim em vias de ocorrer.
Preciso sair daqui. Aquelas crianças podem estar em perigo. Elas provavelmente desconhecem as ciladas que se escondem por trás da aparência inofensiva das ondas ao trazerem sua espuma para depositar na areia. Meus pés afundam. Seria necessário arrancar meus pés da areia e me dirigir aonde estão as crianças para afastar qualquer perigo. Há algo em um movimento estranho sem que consiga identificar, relata.
Se há um aspecto comum aos contos que integram Amor passageiro, do gaúcho Menalton Braff, é o

segunda-feira, 31 de dezembro de 2018

REPRISE

Para você saborear no último dia do ano, repetimos aqui a última entrevista de Menalton Braff a este blog, publicada originalmente em três partes. E como na época ainda não existia o livro "Amor passageiro", acrescentamos  ao final duas perguntas referentes ao livro.

Para quem não conhece, Menalton Braff é escritor, com 25 livros publicados e vencedor de vários prêmios, entre os quais o Jabuti  Livro do ano, em 2.000.  É romancista, contista e escreve também livros infantis e juvenis.

                                         

       Como você se sente quando escreve?

Depende do que estiver escrevendo. Para citar um exemplo: Durante trinta e poucos anos tentei escrever o Na teia do sol. A emoção me bloqueava e não conseguia avançar. Eram lembranças muito dolorosas. Por fim, aliviado do teor autobiográfico do assunto, consegui prosseguir até o fim. Mesmo assim, foi um texto que em muitas passagens tive de parar com lágrima nos olhos e nó na garganta. Diferentemente, Moça com chapéu de palha foi um exercício de alegria. O distanciamento que se consegue entre autor e texto é muito importante.  O envolvimento real com o assunto pode causar as mais disparatadas emoções.

       Sempre foi assim, ou a sensação foi mudando ao longo dos anos?
Sempre foi assim, apesar de que com o caminhar com os textos, aprende-se certo controle sobre as emoções, mesmo quando se faz laboratório. Então, diria que o amadurecimento técnico e estético

quinta-feira, 21 de julho de 2016

O BRASIL SERÁ UM DIA UM PAÍS DE LEITORES?

A pergunta acima foi respondida por Menalton Braff em uma entrevista concedida à jornalista Ivani Cardoso e publicada no site Frankfurter Buchmesse, da Contec Brasil. Braff falou, ainda, sobre a decisão de ser escritor, as dificuldades da carreira e revelou que acaba de colocar o ponto final em um novo livro.


A paixão pela escrita
segundo Menalton Braff
por Ivani Cardoso

Foi um longo caminho percorrido entre decidir ser escritor, aos 16 anos, até o reconhecimento com o Prêmio Jabuti (em 2000, melhor livro do ano) pela obra À sombra do cipreste. Muito papel jogado fora, muitas tentativas, muitos romances que jamais vieram à luz nem virão, segundo Menalton Braff. Mas entre livros, leituras e um e enorme desejo de exercer sua paixão pela literatura ele foi abrindo passagem. São 23 livros publicados (nove infantojuvenis e catorze de literatura geral) e o último de contos, O peso da gravata e outros contos (Primavera Editorial). Menalton Braff nasceu em Taquara (RS) e radicou-se em São Paulo (Capital e interior) há mais de quarenta anos. Formado em Letras, com pós lato sensu exerceu o magistério superior antes de escolher o interior onde se dedicou ao ensino médio. Foi finalista do Prêmio da Jornada de Passo Fundo em 2003, finalista do Jabuti (contos) em 2007 e finalista do Jabuti e do Prêmio São Paulo de

sábado, 17 de novembro de 2018

ENTREVISTAS QUE VOCÊ NÃO LEU

Há cerca de um ano, publicamos aqui no blog uma entrevista em que Menalton Braff respondeu a 36 perguntas. A publicação foi feita em três postagens, com 12 perguntas cada. Hoje vamos repetir a dose, só que agora as 36 perguntas serão postadas de uma só vez. Boa leitura!


      Como você se sente quando escreve?
Depende do que estiver escrevendo. Para citar um exemplo: Durante trinta e poucos anos tentei escrever o Na teia do sol. A emoção me bloqueava e não conseguia avançar. Eram lembranças muito dolorosas. Por fim, aliviado do teor autobiográfico do assunto, consegui prosseguir até o fim. Mesmo assim, foi um texto que em muitas passagens tive de parar com lágrima nos olhos e nó na garganta. Diferentemente, Moça com chapéu de palha foi um exercício de alegria. O distanciamento que se consegue entre autor e texto é muito importante.  O envolvimento real com o assunto pode causar as mais disparatadas emoções.

       Sempre foi assim, ou a sensação foi mudando ao longo dos anos?
Sempre foi assim, apesar de que com o caminhar com os textos, aprende-se certo controle sobre as emoções, mesmo quando se faz laboratório. Então, diria que o amadurecimento técnico e estético
auxilia no controle das emoções, que o Fernando Pessoa definiu tão bem em um poema: “só a que eles não têm.”  “O poeta  é um fingidor”,  não é mesmo?  

        Qual a sua relação com suas personagens? Já aconteceu de sentir paixão ou ódio por algum deles?
Toda personagem me provoca paixão, e, na pior das hipóteses, indiferença. Mesmo aquelas personagens que se poderiam classificar como “do mal” não conseguem me provocar ódio. E por uma simples razão: nada é mais difícil para mim do que julgar uma pessoa/personagem.

    
      Quando o livro acaba, você sente saudade das personagens?
Ah, sem dúvida. Por muito tempo ainda convivo com o povo que ficou preso no livro. Uns mais, outros menos, mas todos continuam me visitando quando deito e fecho os olhos para dormir. Muitos deles me tiram o sono.

domingo, 25 de fevereiro de 2018

ENTREVISTAS QUE VOCÊ NÃO LEU

Esta coluna reúne entrevistas concedidas por Menalton Braff a diversos veículos de comunicação.

Acesse a publicação original

A paixão pela escrita
segundo Menalton Braff
por Ivani Cardoso

Foi um longo caminho percorrido entre decidir ser escritor, aos 16 anos, até o reconhecimento com o Prêmio Jabuti (em 2000, melhor livro do ano) pela obra À sombra do cipreste. Muito papel jogado fora, muitas tentativas, muitos romances que jamais vieram à luz nem virão, segundo Menalton Braff. Mas entre livros, leituras e um e enorme desejo de exercer sua paixão pela literatura ele foi abrindo passagem. São 23 livros publicados (nove infantojuvenis e catorze de literatura geral) e o último de contos, O peso da gravata e outros contos (Primavera Editorial). Menalton Braff nasceu em Taquara (RS) e radicou-se em São Paulo (Capital e interior) há mais de quarenta anos. Formado em Letras, com pós lato sensu exerceu o magistério superior antes de escolher o interior onde se dedicou ao ensino médio. Foi finalista do Prêmio da Jornada de Passo Fundo em 2003, finalista do Jabuti (contos) em 2007 e finalista do Jabuti e do Prêmio São Paulo de
Literatura (romance) em 2008, mesmo ano em que seu A muralha de Adriano obteve menção honrosa no Prêmio Casa de las Américas, la Habana. Sua novela juvenil Castelo de areia recebeu o selo altamente recomendável, da FNLIJ. Publicou três eBooks pela Primavera Editorial: Na teia do Sol e Castelos de Papel e O peso da gravata e até o final do ano lança o próximo romance pela mesma editora. Incentivar a leitura em crianças e jovens, para ele, não tem muito segredo: “É preciso fazer do ato da leitura um momento prazeroso”.

Confira a íntegra da entrevista:

Quando você ganhou o Jabuti em 2000 foi uma surpresa para muita gente. E para você, como foi?
A surpresa para o meio literário é fácil de compreender, pois eu era um autor que, apesar de vir fazendo literatura há muito tempo, acho que a vida toda, só no ano de 1999 foi publicado. Meu círculo de leitores resumia-se a familiares e amigos. Ora, cair na cova dos leões provoca um pouco de medo. Quando a editora me inscreveu, não fiquei esperançoso, não contava com a premiação. Costumo dizer que, naquela noite, naquele salão, tive o melhor susto da minha vida. Demorei um pouco para controlar a tremura das pernas e subir ao palco para receber a estatueta.

Quando se descobriu escritor?
Sempre gostei muito de ler. Aos cinco anos de idade, quando descobri o funcionamento da escrita, devorei O Guarani, de José de Alencar, transformado em HQ pela Edições Maravilhosas. Isso desencadeou uma paixão muito grande tanto pela prosa como pela poesia. Durante o curso Clássico,

sexta-feira, 27 de abril de 2012

A INVENÇÃO DE MOREL (FINAL)


Como prometemos, a finalização das postagens sobre A invenção de Morel é feita com um ensaio da professora Ivone Benedetti. É um texto instigante e esclarecedor. Ei-lo:

domingo, 8 de abril de 2012

ENTREVISTA À REVISTA MACONDO (Retrospectiva)

Acesse a publicação original.


Menalton Braff, recentemente, lançou seu novo romance “Tapete de Silêncio” pela Global Editora. No último número da Revista Macondo, entrevistamos o escritor – aproveite para relembrar alguns dos assuntos abrodados na ocasião.
Macondo: Você se sente mais à vontade escrevendo romances ou contos?

Menalton Braff: Sou por índole mais romancista do que contista. Sinto-me melhor nadando no oceano do que numa piscina. Não desgosto do conto, mas é uma experiência de pouca duração. Prefiro o convívio lento, prolongado, com as personagens, a estrutura, e a linguagem.
Macondo: Entre “À Sombra do Cipreste”, que completa, em 2012, treze anos, e “Tapete de Silêncio”, seu último livro recém-escrito, lançado agora pela Global Editora, algo mudou no seu processo de criação e escrita? O quê?

Menalton Braff: Não creio que tenha mudado. O que acontece é uma constante busca e isso implica um olhar mais agudo e mais atento, um trabalho com a linguagem mais intenso, mas o que eu procurava com “À sombra do cipreste” e o que continuo procurando ainda hoje: a minha inflexão, o meu jeito de fazer literatura.

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

ENTREVISTAS QUE VOCÊ NÃO LEU

Esta coluna reúne entrevistas antigas de Menalton Braff que muitos de nossos seguidores não tiveram a oportunidade de ler. 
Entrevista com Menalton Braff

08 domingo abr 2012
Menalton Braff, recentemente, lançou seu novo romance “Tapete de Silêncio” pela Global Editora. No último número da Revista Macondo, entrevistamos o escritor – aproveite para relembrar alguns dos assuntos abrodados na ocasião.

Macondo: Você se sente mais à vontade escrevendo romances ou contos?

Menalton Braff: Sou por índole mais romancista do que contista. Sinto-me melhor nadando no oceano do que numa piscina. Não desgosto do conto, mas é uma experiência de pouca duração. Prefiro o convívio lento, prolongado, com as personagens, a estrutura, e a linguagem.

Macondo: Entre “À Sombra do Cipreste”, que completa, em 2012, treze anos, e “Tapete de Silêncio”, seu último livro recém-escrito, lançado agora pela Global Editora, algo mudou no seu processo de criação e escrita? O quê?

Menalton Braff: Não creio que tenha mudado. O que acontece é uma constante busca e isso implica um olhar mais agudo e mais atento, um trabalho com a linguagem mais intenso, mas o que eu procurava com “À sombra do cipreste” e o que continuo procurando ainda hoje: a minha inflexão, o meu jeito de fazer literatura.

Macondo: Quais seriam as principais diferenças, para você, entre os escritos de Salvador dos Passos, da década de 1980, e os de Menalton Braff?

Menalton Braff: Posso falar da principal diferença. O Salvador dos Passos foi  o “caderno de exercícios” do aluno Menalton. Há certa continuidade entre eles, se bem com um afinamento dos instrumentos. Mas uma diferença é grande: o Salvador era panfletário, ou disso se aproximava. O

terça-feira, 21 de abril de 2020

ENTREVISTAS QUE VOCÊ NÃO LEU

Esta coluna reúne entrevistas antigas de Menalton Braff que muitos de nossos seguidores não tiveram a oportunidade de ler. 

Entrevista com Menalton Braff

08 domingo abr 2012
Menalton Braff, recentemente, lançou seu novo romance “Tapete de Silêncio” pela Global Editora. No último número da Revista Macondo, entrevistamos o escritor – aproveite para relembrar alguns dos assuntos abrodados na ocasião.

Macondo: Você se sente mais à vontade escrevendo romances ou contos?

Menalton Braff: Sou por índole mais romancista do que contista. Sinto-me melhor nadando no oceano do que numa piscina. Não desgosto do conto, mas é uma experiência de pouca duração. Prefiro o convívio lento, prolongado, com as personagens, a estrutura, e a linguagem.

Macondo: Entre “À Sombra do Cipreste”, que completa, em 2012, treze anos, e “Tapete de Silêncio”, seu último livro recém-escrito, lançado agora pela Global Editora, algo mudou no seu processo de criação e escrita? O quê?

Menalton Braff: Não creio que tenha mudado. O que acontece é uma constante busca e isso implica um olhar mais agudo e mais atento, um trabalho com a linguagem mais intenso, mas o que eu procurava com “À sombra do cipreste” e o que continuo procurando ainda hoje: a minha inflexão, o meu jeito de fazer literatura.

Macondo: Quais seriam as principais diferenças, para você, entre os escritos de Salvador dos Passos, da década de 1980, e os de Menalton Braff?

Menalton Braff: Posso falar da principal diferença. O Salvador dos Passos foi  o “caderno de exercícios” do aluno Menalton. Há certa continuidade entre eles, se bem com um afinamento dos instrumentos. Mas uma diferença é grande: o Salvador era panfletário, ou disso se aproximava. O

quinta-feira, 27 de junho de 2019

ENTREVISTAS QUE VOCÊ NÃO LEU

Esta coluna reúne entrevistas antigas de Menalton Braff. A escolhida para hoje foi publicada pela Revista Macondo em abril de 2012.

[Retrospectiva] Entrevista com Menalton Braff



Menalton Braff, recentemente, lançou seu novo romance “Tapete de Silêncio” pela Global Editora. No último número da Revista Macondo, entrevistamos o escritor – aproveite para relembrar alguns dos assuntos abrodados na ocasião.

Macondo: Você se sente mais à vontade escrevendo romances ou contos?

Menalton Braff: Sou por índole mais romancista do que contista. Sinto-me melhor nadando no oceano do que numa piscina. Não desgosto do conto, mas é uma experiência de pouca duração. Prefiro o convívio lento, prolongado, com as personagens, a estrutura, e a linguagem.

Macondo: Entre “À Sombra do Cipreste”, que completa, em 2012, treze anos, e “Tapete de Silêncio”, seu último livro recém-escrito, lançado agora pela Global Editora, algo mudou no seu processo de criação e escrita? O quê?

Menalton Braff: Não creio que tenha mudado. O que acontece é uma constante busca e isso implica um olhar mais agudo e mais atento, um trabalho com a linguagem mais intenso, mas o que eu procurava com “À sombra do cipreste” e o que continuo procurando ainda hoje: a minha inflexão, o meu jeito de fazer literatura.

Macondo: Quais seriam as principais diferenças, para você, entre os escritos de Salvador dos Passos, da década de 1980, e os de Menalton Braff?

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

CARTA CAPITAL: MANUEL ANTÔNIO DE ALMEIDA: UM CASO RARO

Acesse a publicação original

Manuel Antônio de Almeida: um caso raro
A importância de sua obra está em seu caráter inovador. Ele fez mais do que um "romance picaresco" 
por Menalton Braff 

Não é todo dia que alguém escreve um único romance e consegue ser canonizado, como se diz no meio literário, ou melhor, entrar para a história. Claro, há casos como o de Guimarães Rosa, que escreveu apenas Grande Sertão: Veredas, representando o gênero romance, contudo é autor de uma alentada produção de contos e novelas. Raul Pompeia, outro caso raro, teve, além de O Ateneu, Uma tragédia no Amazonas. Escapou por pouco do romance único.

Manuel Antônio de Almeida, nosso caso raro, órfão de um tenente, mãe pobre, começou a trabalhar muito cedo e, ainda assim, conseguiu o diploma de médico. Mas sua paixão já se havia estabelecido: o jornalismo. Jamais exerceu a profissão para a qual havia estudado. No Brasil da época, havia um curso de Direito em São Paulo, outro em Recife, um curso de Medicina no Rio e a Escola Politécnica (Faculdade de Engenharia Naval). As vocações tiveram de esperar mais de meio século para serem realizadas.

quinta-feira, 9 de julho de 2020

ENTREVISTAS QUE VOCÊ NÃO LEU

Acesse a publicação original

A revista Macondo entrevistou Menalton Braff logo depois do lançamento do primeiro volume da Trilogia Tempus Fugit, o romance Tapete de Silêncio. Repetimos a postagem aqui para os que não conheciam Menalton na época e para quem tiver interesse de ler novamente.


[Retrospectiva] Entrevista com Menalton Braff

Menalton Braff, recentemente, lançou seu novo romance “Tapete de Silêncio” pela Global Editora. No último número da Revista Macondo, entrevistamos o escritor – aproveite para relembrar alguns dos assuntos abrodados na ocasião.

Foto: Weber Sian / A Cidade

Macondo: Você se sente mais à vontade escrevendo romances ou contos?

Menalton Braff: Sou por índole mais romancista do que contista. Sinto-me melhor nadando no oceano do que numa piscina. Não desgosto do conto, mas é uma experiência de pouca duração. Prefiro o convívio lento, prolongado, com as personagens, a estrutura, e a linguagem.

Macondo: Entre “À Sombra do Cipreste”, que completa, em 2012, treze anos, e “Tapete de Silêncio”, seu último livro recém-escrito, lançado agora pela Global Editora, algo mudou no seu processo de criação e escrita? O quê?

Menalton Braff: Não creio que tenha mudado. O que acontece é uma constante busca e isso implica um olhar mais agudo e mais atento, um trabalho com a linguagem mais intenso, mas o que eu procurava com “À sombra do cipreste” e o que continuo procurando ainda hoje: a minha inflexão, o meu jeito de fazer literatura.

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

ESPIANDO POR DENTRO

Esta coluna reúne analises de livros elaboradas por Menalton Braff e publicadas originalmente em seu site .

Livro Analisado: Quarup
Autor: Antônio Callado

A Obra:

Quarup, romance publicado em 1967, revela elementos importantes da sociedade, da cultura e da política brasileira, num período de nossa história que vai da era Vargas, passando pelos governos de Juscelino e Jânio, para terminar na época dos governos militares.

Elementos da narrativa:

Personagens:

Nando - Um jovem padre, o protagonista da história, vive mergulhado em dúvidas. Sente-se vocacionado para missão entre os índios do Xingu, mas teme a nudez feminina. Uma amiga, sabendo de seu drama, trata de seduzi-lo, livrando-o do impedimento. Depois dessa primeira experiência sexual, Nando se apaixona pela noiva de um amigo, mas nada mais o impede de realizar sua utopia. Já no Xingu, e depois de constatar a verdadeira situação dos índios, ao descobrir que o de que precisam é apenas de sobrevivência e não de salvamento da alma, o protagonista escreve a seu

quinta-feira, 31 de março de 2016

ESPIANDO POR DENTRO

Esta coluna reúne analises de livros elaboradas por Menalton Braff e publicadas originalmente no site do escritor.

Livro Analisado: Quarup

Preparação: Prof. Menalton Braff

Autor: Antônio Callado

A Obra:

Quarup, romance publicado em 1967, revela elementos importantes da sociedade, da cultura e da política brasileira, num período de nossa história que vai da era Vargas, passando pelos governos de Juscelino e Jânio, para terminar na época dos governos militares.

Elementos da narrativa:

Personagens:

Nando - Um jovem padre, o protagonista da história, vive mergulhado em dúvidas. Sente-se vocacionado para missão entre os índios do Xingu, mas teme a nudez feminina. Uma amiga, sabendo de seu drama, trata de seduzi-lo, livrando-o do impedimento. Depois dessa primeira experiência sexual, Nando se apaixona pela noiva de um amigo, mas nada mais o impede de realizar sua utopia. Já no Xingu, e depois de constatar a verdadeira situação dos índios, ao descobrir que o de que precisam é apenas de sobrevivência e não de salvamento da alma, o protagonista escreve a seu

sexta-feira, 6 de março de 2015

CONTOS CORRENTES



Cecília Figueiredo nasceu em Franca e é membro da Academia Ribeirão-pretana de Letras É professora de inglês, com atendimento preferencial para executivos, pois foi tradutora bilíngue de dois bancos estrangeiros, onde desenvolveu essa competência.

Sua família, de Areias, sempre esteve muito próxima da literatura. Sua avó conheceu Monteiro Lobato, transferido para Areias como promotor. Na infância, Cecília leu toda a obra de Monteiro Lobato, tendo começado a escrever ainda menina.

Tem dois livros publicados: Paixão vírgula paixão e A casa da instabilidade, ambos de poemas. Atualmente prepara um livro de contos.

A autora considera a poesia como uma entidade, uma parceira. Diante de alguma aridez, diz a autora, procura ler algum poema de quem admira e uma palavra ou verso desencadeia um novo poema.  
Fonte: Blog do Selmo Vasconcellos



NA BRANCURA DE MARINALVA

Depois que cheguei em casa, na hora da janta, Marinalva resolveu abrir o berreiro. Falou que não tinha isso, não tinha aquilo, eu só fiquei na espera da parada dela para eu resmungar. Depois de boa meia hora, a Lurdes já tinha até trazido o café, ela parou.

domingo, 9 de abril de 2017

ESPIANDO POR DENTRO

Esta coluna reúne analises de livros elaboradas por Menalton Braff e publicadas originalmente no site do escritor.

O livro analisado nesta postagem é Bom-Crioulo, de Adolfo Caminha.

A obra

Bom-Crioulo, é o segundo romance do autor. Antes já publicara A normalista, cuja concepção e execução atendem aos preceitos mais rigidamente naturalistas. Este livro, Bom-Crioulo, assim como outras obras do autor, não foi bem recebido pela crítica por razões extraliterárias.

Escrito como vingança da sociedade que o discriminou por razões de moralidade (ou falsa moralidade), seus escritos ainda mais escandalizaram a sociedade da época.

Personagens

Amaro - O Bom-Crioulo, era assim chamado por seu comportamento geralmente cordato. Surgiu ninguém sabia de onde, um negro forte, jovem musculoso, provavelmente foragido de alguma fazenda. Um escravo fugido. Quando bebia, contudo, transformava-se numa fera.

quinta-feira, 12 de maio de 2016

ESPIANDO POR DENTRO

Esta coluna reúne analises de livros elaboradas por Menalton Braff e publicadas originalmente no site do escritor.

O livro analisado nesta postagem é Bom-Crioulo, de Adolfo Caminha.

A obra

Bom-Crioulo, é o segundo romance do autor. Antes já publicara A normalista, cuja concepção e execução atendem aos preceitos mais rigidamente naturalistas. Este livro, Bom-Crioulo, assim como outras obras do autor, não foi bem recebido pela crítica por razões extraliterárias.

Escrito como vingança da sociedade que o discriminou por razões de moralidade (ou falsa moralidade), seus escritos ainda mais escandalizaram a sociedade da época.

Personagens

Amaro - O Bom-Crioulo, era assim chamado por seu comportamento geralmente cordato. Surgiu ninguém sabia de onde, um negro forte, jovem musculoso, provavelmente foragido de alguma fazenda. Um escravo fugido. Quando bebia, contudo, transformava-se numa fera.